sábado, 21 de dezembro de 2013

(Quase) Tudo o que 2013 rendeu.


Nos últimos dias, consultando pessoas sobre o ano que elas tiveram, o que mais ouvi foi: "2013 foi uma loucura, tudo o que tinha pra dar errado, de fato, deu errado. As coisas fugiram do controle. 2013 pareceu uma criança, quebrando todos os protocolos e surpreendendo a qualquer um."

Você se identifica com isso também?
Pois bem, eu me identifiquei. "Que ano absurdamente imprevisível!". Com toda a segurança posso afirmar isso, pois quando chego aos 31 de dezembro do respectivo ano, eu escrevo os meus desejos para o ano seguinte. Porém, eu confesso, que os anos nunca acabam sendo da forma que eu penso que eles iriam ser. A única diferença dos últimos anos para este de 2013 é que meus projetos mudaram ra-di-cal-men-te. Se quando o meu plano, no último dia 2012, era A, hoje ele se tornou uma letra que está lá pela metade do alfabeto. A "coisa" foi drástica, mas confesso também que ter mudado de planos foi em virtude de querer viver um sonho antigo. E o melhor de tudo? Sinto-me feliz (apesar do plano ainda não ter se concretizado). Pode-se dizer que estou feliz pela luta, pelo esforço em torná-lo real.


Mas, estando à parte este sonho, o que 2013 rendeu? Ora, definitivamente perdi as contas! Foram tantas as trocas e aprendizado que, eu também posso afirmar, esse foi o ano que mais obtive aprendizado em vários pontos da minha vida. Acontece que eu fui atrás de aprender tudo isso, de querer mudar a vida que eu estava começando a levar, pois foi nesse momento ai que eu parei para pensar que o caminho que eu estava pegando não me levaria ao futuro que tanto gostaria de ter. Parece loucura né? Acho que sim, pois nem eu sei escrever um texto coerente com o que senti ao longo deste ano, bem como as mudanças que optei junto com a louca sensação de que a hora de arriscar é agora.

Lá em meados de Maio, o plano "R" surgiu. Aí fazendo uns ajustes eu concluí que podia ser ele, então, a me levar para um futuro diferente daquele que eu estava prevendo que teria ao cair na rotina de até então. Depois de ter amadurecido a ideia do plano R, ele ainda obteve alguns ajustes, também passou por crises, mas aos 21 de dezembro de 2013 posso afirmar que ele me parece a ideia mais bonita e grandiosa que já tive para integrar a minha vida. Fruto de um sonho brotado aos 16 anos de idade, hoje tenho a sensação de que posso ter encontrado o meu "lugar" no mundo. Que lindo isso, não é mesmo? Pois bem, isso é uma suposição que apenas descobrirei ao longo dos próximos anos, mas por hora a sensação é a de que escolhi um caminho que me levará ao futuro que sempre sonhei.

Um pequeno parênteses: Toda loucura provém de corajosos. Quando se é mais novo, é aventurar-se. Quando se têm um pouco mais de idade, é correr riscos. O que eu acho? Que toda a loucura vale a pena, mesmo que existam perdas materiais, pois o que você aprende sendo um corajoso, provavelmente nenhuma zona de conforto lhe ensinará.

Assim sendo, chamo de "rendimento" as loucuras que fiz em 2013. Não, elas não são absurdas... Mas para uma garota da minha idade e com os recursos que tenho, digo que elas foram intensas, pois foi através delas que tirei várias lições importantes para uma conduta de vida consistente. 365 dias me renderam 7 empregos diferentes: 3 deles com vínculo empregatício, 3 temporários e 1 totalmente voluntário. Este ano fui a três shows aos quais sempre sonhei em ir, conheci mais de 30 lugares, vivi mais de 30 novas experiências. Conheci muita, mas muita gente (essa, pra mim, é a parte mais enriquecedora). O mais inusitado foi ter encontrado um emprego que parecia já estar me esperando. Foi este o qual trabalhei com pessoas cegas/baixa visão. Se no ano passado aprendi muitas coisas sobre a Síndrome de Down, em 2013 aprendi um tanto sobre Deficiência Visual, Cães Guias entre outros assuntos correlacionados à cegueira. (Secretamente eu acho que um dia ainda vou trabalhar com Surdos também. Eu acho, mas não é meu plano de agora.. Quem sabe futuramente).

Ter vivido tantas experiências inusitadas neste ano, fizeram com que eu me autoconhecesse ainda mais. Por exemplo, percebi, estando nos últimos meses de 2013, que não nasci para exercer certas funções. Existe uma veia de "voluntarismo" dentro de mim, e usá-la em situações erradas acaba confundindo boa vontade x opressão, se é que você me entende. Ter percebido isso foi de grande importância, pois com toda a certeza viemos ao mundo para descobrirmos o que viemos fazer aqui, mas essa tarefa é mais complexa, então descobrindo o que não viemos fazer acaba limitando nossas opções, assim nos levando para a derradeira resposta.

Apesar das coisas estranhas - diga-se de passagem, "ruins" - que aconteceram no mundo em 2013, para mim toda essa loucura particular que vivi foi boa. Aliás, muito boa, pois é no risco que a gente aprende e começa a valorizar algumas coisas que passaram despercebidas ao longo de todo este tempo.

Vou despedindo-me desse ano com alegria no peito. Algumas crises vividas durante esses 365 dias fizeram com que eu amadurecesse, fazendo com que eu não perdesse a essência dos meus sonhos e vontades. Talvez até possa dizer que as veias de maturidade,  já existentes em mim, estão ficando mais longas. Ainda não sou adulta, mas já não me sinto mais como uma criança indefesa. Com a bagagem que eu já possuía e com todo o conhecimento que 2013 trouxe-me, vou para 2014 receptiva às concretizações dos planos que encaminhei ao longo desse ano.

"Que nada no futuro seja menos que 2013" (José Saramago, adaptado).

Vídeo que inspirou as mudanças que fiz na minha vida esse ano:

FELIZZZZZZZZZZZZZZZZ 2014!!!!!!!!! QUE SEU ANO SEJA ESPETACULAR!
Obrigada por todas as pessoas que visitaram o blog este ano, vejo vocês no ano que vem! :)

Beijãoooo Carol


sábado, 30 de novembro de 2013

Tchau Novembro, Oi verão!


"Chega mais perto, você está voltando. Finalmente posso olhar para as nuvens e pensar na saudade que senti. Que bom estarmos tão juntinhos novamente. Ora, você sabe o quanto gosto de você.

Eu sabia exatamente quando te encontraria outra vez. Circundamos todo o resto do ano às espreitas um do outro. Vez em quando a temperatura aumentava, eu ficava pensando que você tinha voltado de vez.

Verão, o tempo passou. Você está chegando novamente, e eu aqui olhando para as nuvens, lembrando da última vez que esteve por aqui. Foi demais! Nunca te aproveitei tanto. Aliás, esse era um desejo antigo: Esse verão intenso e marcante chegou na hora certa, porém fruto de uma vontade antiga.

Eu mudei, sabia? Aliás, desde a última vez que você foi embora, umas ideias - também - antigas voltaram a circundar o meu pensamento. Sonhos que resolvi tornar realidade. Estou feliz com isso, acho que finalmente encontrei o meu lugar no mundo, e essa sensação é interessante!

Nem acredito que você está de volta... O que estará me reservando para esta temporada 2013/2014? Será você tão surpreendente quanto a versão passada? Eu espero que sim. Não sei de quais formas, mas espero ser muito mais surpreendida. É, eu entendo que você vai ter que ir embora novamente depois que solstício de verão passar. Legal essa palavra né? "Solstício". Pois é, aprendi ela enquanto você esteve ausente.

Ah, você está diferente também, verão. Parece mais "aconchegante". Sério, de verdade. Talvez você esteja crescendo, assim como eu.. "Amadurecendo", é o termo. É, também acho que nunca mais seremos os mesmos desde a última vez que você esteve por aqui. Se isso é bom? Sinto que sim. Verdade, crescer é estranho, causa sentimentos controversos e nos deixa mais velhos. Melhor fazer disso algo espetacular!

Chega mais, verão! Vamos arrasar juntos ;)"


Beijo, C.
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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

É mais fácil ir embora do que ficar.


"Mais fácil que ficar é ir embora". (Shara Hasan)
Faz bem pouco tempo que li esta frase e passei a ser instigada por ela. Nunca passei por um momento divisor de águas em que uma mudança voluntária transformasse a minha vida, e que, por meio disso, tivesse que deixar uma boa parte da bagagem de minha rotina e do meu conhecimento escasso para trás, rumo a viver e enfrentar algo totalmente desconhecido.

Pois bem, ainda não vivi uma situação assim, porém tal frase veio a calhar nestas vésperas de fim de novembro e, consequentemente, final de ano. "É mais fácil ir embora do que ficar." Se não fosse irônico, seria engraçado decidir largar de vez algo que preenche boa parte do dia e, consequentemente, do aprendizado e das experiências singulares que 2013 me trouxe. O que eu estou tentando dizer é: Engraçado como um lugar parecia ser totalmente tão favorável e digno da nossa presença, levando em conta o quanto de entrega deixamos do nosso eu ali, e agora a ideia de sair disso, antes muito improvável, se tornou algo atraente.

O que mudou de repente? Será que o lugar nunca foi favorável de fato? Ou o lugar foi favorável enquanto eu o julguei de tal modo? Tudo depende da ótica com a qual decidimos observar, isso é fato.
Talvez o mais engraçado, de repente triste, sei lá, seja o fato de ir embora sem que hajam objeções. Me pergunto: "- Será que a gente é capaz de passar tão despercebido em um lugar?". E então me remeto ao pensamento do mundo mecanicista, no qual você vale pelo quanto é útil, não pelo carinho e envolvimento que você demonstra com algo. É estranho. Este post é estranho, essas conclusões também o são. E não quero tornar este texto depressivo! Afinal de contas, acho que estes dois tipos de tratamento - o ser "valorizado" e o não ser (pensamento mecanicista) - andam em equilíbrio, tudo depende de onde desejamos estar. Talvez, no fundo, seja por isso que, neste momento e nesta situação, esteja sendo mais fácil ir embora.
Se fiz a diferença para tal lugar, quem sabe um dia eu descubra. Se isso fará diferença no meu futuro? Eu acho que sim. A vida é muito rica e muito breve para que eu pense que passado e futuro não estejam interligados.

Um Beijo, C.
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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Você ainda vive o ontem - Felipe Sandrin.


Aliás, também somos o ontem. O que fazemos, como fazemos, por quem e por que fazemos: somos o eco de um grito passado. Mas não passa, segue ecoando medos e alegrias, em um eterno reencontro com nós mesmos – se somos muitos.
Olhe para trás: o que você vê? Será que suas buscas mudaram tanto? O carrinho de brinquedo se tornou o carro de verdade, a paixão escolar que ensinou o simples de se apaixonar, os avós e amigos que já partiram mostrando que tudo passa, inclusive nós.
A luz do sol demora 8 minutos e 31 segundos para atingir a terra. Ou seja, se nosso sol se apagasse agora, somente depois de 8 minutos e 31 segundos sua luz deixaria de chegar a nós. A estrela mais próxima de nós – depois do sol – se chama Proxima Centauri e sua luz demora quatro anos para chegar até aqui. Quando olhamos para o céu noturno e vemos todas aquelas estrelas, mal imaginamos que talvez nenhuma delas ainda exista.
Ao longe avistamos um conhecido. Lembranças surgem. Para nós, aquela pessoa é a mesma que um dia conhecemos. Na verdade, nem nós somos os mesmos, há vários ‘eus’ em você. Como quando você se deita à noite disposto e pensando no dia seguinte, até que seu despertador toque e você não tenha a mínima vontade de sair da cama. O que mudou durante a noite? Que ‘eu’ você se tornou?
Nesta semana eu completei dois anos fora de Bento Gonçalves. Olhei para trás e percebi que tudo o que passei se repete, está aqui, andando comigo, martelando-me em dúvidas e recarregando minhas forças quando penso no que pode não dar certo.
“No fim tudo dá certo”’, eis uma máxima. Não sabemos bem o que é certo, o único fato do qual realmente temos certeza é de que algo acontecerá. É uma decisão que independe de nós. Pararmos para pensar não para o tempo.
Quando avistamos esse conhecido que fez parte de nosso passado, achamos reconhecê-lo, mas será que não estamos olhando para nós mesmos? Não seria essa somente uma ponte para o reencontro com um de nossos tantos ‘eus’?
Ao enigmático da vida cabem as frustrações. Queremos ser um: presente, passado e futuro. Mas somos vários. Cabem muitos ‘Felipes’ dentro do Felipe, porém, não cabe entendimento quando queremos convergir tantos ‘eus’ no eu.
E assim os dias parecem se repetir: e será que não se repetem? O que os difere? Seria a chuva e o sol? A um darmos o nome de segunda-feira e ao outro de domingo? São perguntas que parecem ilógicas, mas assim parecem devido à nossa limitação. Sim, somos limitados e vários. Se temos dúvidas até mesmo sobre que roupa iremos vestir, imaginem quanto a quem somos.
Ecos de vários gritos. Nossas buscas fúteis do dia a dia são defesas para as limitações do pensamento. E assim, por um momento, nos sentimos magníficos, até que outra parte de nós faça com que nos sintamos medíocres.
Sempre haverá um aluguel por pagar, uma parte da casa por decorar, um conhecido por reencontrar. Sempre doerá uma despedida e haverá esperança de em uma esquina acharmos alguém, alguém que apesar de desconhecido nos apresente ao mais vibrante de nossos ‘eus’.
Texto escrito por Felipe Sandrin, publicado no Jornal Serra Nossa em Novembro/2013.

domingo, 17 de novembro de 2013

Um daqueles momentos ímpares.


Há pouco tempo comecei a trabalhar em uma associação de pessoas com deficiência visual.
Por meio dela estive este final de semana participando do XVI Encontro Brasileiro de Usuários do DOS VOX. O público alvo, como já está presente no nome da associação que patrocinou o evento, eram cegos.

Qual foi a minha surpresa ou sensação de estar envolvida em algo do gênero? Primeiro uma grande surpresa, pois desde que me conheço por gente, eu nunca havia sonhado em estar convivendo com pessoas cegas.

Estar no congresso foi prazeroso. Como boa observadora deste surpreendente cotidiano, admirei os cegos que me cercaram. Talvez o que tenha enchido o meu coração de bons sentimentos foi ver a superação de cada um deles e a vontade dos "videntes"* em ajudar os deficientes visuais.

Eu já conhecia um cão guia, e neste evento houve o encontro de dois: O Rama (que eu já conhecia) e a Misty. Um belo casal de labradores!


Não pude me ater muito às palestras que estavam acontecendo, porém pelo pouco que pude prestar atenção, estamos a caminho de um mundo mais inclusivo e acolhedor. Acho que a maior prova disso foi ver que são os próprios cegos que estão indo a luta por seus direitos. E a superação é incrível. Não comento isso apenas por ter participado do congresso, mas também pelo tempo de convivência que já tenho junto a eles. Como exemplo, o meu chefe, deficiente visual, que viaja o mundo inteiro por meio de uma União internacional, a qual ele preside.

Todos os cases que foram expostos no congresso são de uma superação incrível, me ative a dois que pude prestar atenção. Cegos que quebraram o tabu da deficiência e foram atrás de seus sonhos. Acho que a maior mensagem é a força de vontade, que todos nós temos possibilidades de vencer se acreditarmos e lutarmos por algo. Se deficiências não são desculpas, muito menos deveriam ser nosso orgulho e falta de disposição e coragem.

Beijo, C.

*nome designado a pessoas que enxergam.

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Sensação do depois.


"Sinto-me estranho estando em casa", ele me disse. E esta foi a deixa para que eu começasse este texto. Responderia a ele "Sinto-me estranha por ter terminado a minha participação no congresso".

Trabalhar em um evento/congresso é como viajar, pensei após a finalização deste último que participei. Quando o público envolvido faz parte do país inteiro, é como conhecer várias partes do Brasil ao mesmo tempo. Quando o público envolvido faz parte do mundo inteiro, então a viagem fica mais enriquecida. Várias culturas misturadas ao mesmo tempo, em um só local, e você ai tendo a oportunidade de fazer parte de tudo isso.

Ele pegou o avião hoje, chegou em casa há pouco. Telefonou, estranhou estar em casa, o que é comum de acontecer quando nos ausentamos de um lugar - seja pelo pouco tempo que isso aconteça.
Não peguei um avião, não viajei. Passei apenas o dia inteiro fora de casa e estou com a mesma sensação que a dele. Mas há um porém: Não é estranho estar exatamente em casa. Estranho é ter vivido dois dias tão intensos, e, de repente, isso sumir. A sensação de perda é realmente algo a ser levado em conta.

Acredito que tudo isso seja um "mash" de ano acabando. Tão rapidamente, metade de novembro passou e a vontade é de que as coisas estão na hora de serem renovadas.

Ele, voltando para casa, eu, voltando para a minha vida rotineira. O ano, acabando. Quais surpresas ainda nos esperam?

Um beijo, C.


domingo, 3 de novembro de 2013

O barzinho do além-vida.

Há três anos ir ao cemitério, principalmente em dia de Finados, passou a ter um significado diferente para mim. Antes disso, eu ia por conveniência, ia porque mãe e pai diziam que eu tinha que ir, não porque me agradasse tal feito. Hoje, a escolha é minha e faço questão de estar lá, pois, seja a vida irônica ou não, vou lá justamente para visitar o suposto lugar em que meu pai descansa "fisicamente". Cemitério nada mais é do que um memorial físico, já que as verdadeiras memórias transcendem no sentimento.

Ao contrário do que se esperaria de alguém que vai ao cemitério para visitar alguém que muito amava, não sinto tristeza ao ir lá. Sinto uma energia negativa, é verdade, afinal de contas tal lugar se constitui basicamente de lágrimas derramadas e de despedidas.
Ir ao cemitério é como estar em uma roda de amigos, ao menos é o que sinto quando lá estou a visitar o memorial do meu pai. Inicio uma conversa mental com ele, contando tudo o que houve de interessante nos últimos tempos da minha vida e da família que ele deixou por aqui. Algumas lágrimas caem, é inevitável,  mas não por uma dor profunda ou tristeza específica. Isso passou. E no lugar disto, veio a nostalgia, a saudade. Nessa conversa acabo tendo para mim que poderíamos estar em um barzinho, o barzinho do além-vida, no qual, por mais que o tempo passe, continuaríamos em contato, sabendo um do outro e seguindo juntos, embora evidentemente separados. E nele comemoraríamos as coisas boas, os sonhos realizados, os lugares que conhecemos. Daríamos risadas e compartilharíamos o quanto inusitado é viver, e o quanto irônico é morrer.

A vida possui algumas vértices que fogem à nossa escolha. Quem ela escolhe para ir embora, sempre vai embora cedo demais, e nós aqui é que aprendemos a lidar com o nosso dia-a-dia sem mais ter certas pessoas por perto.

Sei que aproveitei a companhia do meu pai enquanto ele estava vivo. Mal sabia eu que existia a possibilidade de ele ir embora tão cedo. É claro que eu queria ter aproveitado muito mais, mas do pouco que me foi possível eu agradeço, pois talvez seja isso que me faça encarar o dia de Finados e as visitas ao cemitério como uma roda de amigos estando em um barzinho, pois assim éramos enquanto ele estava vivo.

Beijo, C.

domingo, 27 de outubro de 2013

Vamos cortar para dezembro?


A primeira vez que descobri que até mesmo os anos enjoavam, foi a altura dos meus nove anos de idade.
Lembro de ter conversado com a minha mãe, dizendo para ela: "Bá, mãe, tô cansada desse ano... Gostaria que as coisas mudassem. Tu não enjoa dos anos também?"
Naquele dia minha mãe me disse que enjoava, sempre a mesma rotina, cansava de ter que inventar tipos de comida todos os dias.

Não que tal diálogo tenha me feito compreender algo sobre a enjoatividade de vivermos um ano. Aliás, acho que nunca consegui entender porque, quando na altura do mês de novembro, a vontade é de que o ano se finde, que a fita troque, que novos ares nos envolvam.

Nessa finaleira de 2013, eu, particularmente, sinto que tantas coisas ocorreram neste mesmo ano que fica a sensação de que esteja na hora de tudo ficar mais brando, trocar alguns ares, reaver alguns sonhos, guardar outros. Entender que já extrai o melhor de tudo o que vivi ao longo desses quase onze meses do ano, hora de mudar.

Mudar de ano talvez seja o melhor truque que a natureza, ou os sábios do mundo antigo, criaram para aqueles que seriam seus sucessores no futuro: temos a sensação de que tudo pode recomeçar, que teremos uma nova chance de realizar no próximo ano o que não nos foi possível neste. É a possibilidade da vida se renovar, de sairmos da zona de conforto, mesmo que não queiramos, e partirmos em busca de novas realizações e desafios.

Talvez esse final de 2013, em especial, esteja com sabor de "2014 promete". Digo isso pelos planos que já estão em andamento agora com previsão de concretização no raiar do novo ano.

Ainda estamos em Outubro, mas já desejo Novembro. Logo, logo cortaremos para Dezembro e, tão pronto, veremos 2014.

Um beijo, C.
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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Planeta Atlântida 2014.


Agora é oficial!
Para alegria e ansiedade da população gaúcha - e talvez brasileira também -, foram anunciadas ontem as datas do Planeta Atlântida 2014.
Em Santa Catarina será nos dias 17 e 18 de Janeiro, já no Rio Grande do Sul - que, particularmente, é o que me interessa - as datas são 07 e 08 de fevereiro.

Resolvi fazer este post, pois esse será o meu primeiro Planeta e gostaria de colocar aqui as bandas que eu gostaria que estivessem presentes. Quem sabe este ano poderia rolar também atrações internacionais, fato que ocorreu em algumas edições anteriores.

Vamos lá, segue a lista de bandas que eu gostaria que estivessem presentes:
Nacionais:
Detonautas, CPM 22, Armandinho, Nando Reis, Jota Quest, Fresno, Capital Inicial, Ivete, Skank, Nando Reis, Frejat, Pollo.
Internacionais:
SOJA, Maná. E eu acho que deveria ter algum DJ que está em alta, por exemplo: David Guetta, Avicii.


E você, quais bandas gostaria de ver no Planeta?


Beijo, C.

sábado, 12 de outubro de 2013

A infância é eterna, mas crianças crescem.

Eu, aos 3 anos de idade. Tipo Einsteeen \o

De acordo com o que é de meu conhecimento leigo, deixei de ser criança há sete anos. Se você também já ouviu falar que a infância termina aos doze anos, então já descobriu que idade eu tenho. A verdade é que mesmo a infância tendo terminado - seja lá há seus cinco, dez, quarenta anos - uma criança sempre vai existir dentro da gente. Afinal de contas, este é o nosso princípio, a nossa primeira visão do mundo. "É o chão por onde todos nós caminharemos ao longo da vida", já dizia Lya Luft.

A infância é atemporal, pois mesmo que envelheçamos, continuaremos com nossas brincadeiras infantis, mesmo que não exteriorizemos isso e mantenhamos apenas em nosso universo particular. Algumas pessoas mantém as atitudes infantis - o que demonstra que não conseguiram aprender a abandonar esta parte da vida que era sem preocupações e repleta de momentos bons e pacíficos. Mas há aqueles que mantém o olhar da infância estando no universo adulto. Isso é o que deveríamos conservar, pois manter o olhar infantil significa admirar o que ocorre ao nosso redor com maior curiosidade, mesmo que tudo tenha se tornado comum e conhecido.

Individualmente e, aos poucos, os brinquedos físicos da infância, bem como a pouca responsabilidade perante o mundo, vão sendo deixados de lado.
Aos doze anos, segundo a Organização Mundial da Saúde, entramos adolescência e aos vinte na vida adulta. Sendo a adolescência um misto da vida adulta com a infância, só deixaremos, de fato, a infância propriamente dita, quando chegarmos à vida adulta.
Mesmo que por lei a infância seja deixada aos doze anos, as pessoas tem individualmente o seu momento para deixar a infância e entrar na adolescência, também cada pessoa entra na vida adulta ao seu próprio tempo. Estou puxando esse gancho imenso e aproximando-o ao dia que se comemora hoje, pois eu, aos dezenove anos de idade, confesso estar, talvez pela primeira vez na vida, mais adulta do que criança - veja que ainda estou na adolescência de acordo com a OMS - e tudo isso porque estou passando a acreditar que, entre outros fatores, se sentir adulto é encontrar o seu lugar no mundo, é finalmente desmistificar tantos caminhos, optar por um deles e perder a incerteza sobre se está ou não fazendo a escolha certa.

Comemoro este dia das crianças ainda estando entre a infância e a fase adulta (adolescência), lembrando da infância que tive e como vivi um tempo preciosamente bom, e confessando que isto vai ficando cada vez mais distante ao passo que começo a sentir-me adulta por, entre tantas coisas, ter encontrado o meu lugar no mundo.

A infância é eterna, mas a gente cresce.

Um Beijo, C.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Trechos do livro Selma e Sinatra - Martha Medeiros.


"(...) Ou será que poderia desistir? Expectativas são sempre angustiantes, a realidade nunca corresponde à fantasia."

"O resto não é interrupção, filha, é continuidade. Nada se interrompe enquanto estivermos respirando."

"Infeliz eu teria sido se ficasse de braços cruzados esperando a vida fazer de mim o que bem entendesse."

"(...) - Você tem certeza de que não está falando de você e Henrique?
Selma encostou-se no sofá e passou a mão nos olhos, entregando-se ao cansaço.
- Estamos sempre falando de nós mesmos, Guta."

"- Escute, eu nunca menti. Tudo o que a gente vive pode ser analisado por diferentes aspectos, ter diversas versões, eu apenas selecionei uma para ofertar a você e aos leitores, achei que isso já estava claro."

"(...) As fotos nunca contam nada. Os grandes momentos de Guta surgiam desfocados em sua mente, e assim deveriam manter-se. Rápidos flashes de emoções sem explicação racional, instantes de plenitude vindos do nada, conexões estabelecidas consigo mesma, em que era possível atestar: que bom ser este traste que sou, uma fulana desobrigada de posturas. Ser anônima compensa."

"(...) - Lembro que você respondeu que todas as vidas eram interessantes.
- E são.
- A minha tanto quanto a sua - e tanto quanto a de qualquer ser vivo.
- Exato. O que as diferencia é a maneira como são lembradas e contadas."

Trechos retirados do livro "Selma e Sinatra", escrito por Martha Medeiros.
Beijo, C.
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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Episódio em homenagem à Cory.

Oi gente!
Saiu a promo do episódio 5x03 de Glee, intitulado "The quarterback" será uma homenagem à Cory Monteith - intérprete do personagem Finn na série. Há cerca de dois meses o ator e cantor foi encontrado morto no hotel que estava hospedado em Vancouver.

Segue a promo do episódio que promete ser emocionante, e muito triste de assistir.

Rest In Peace, Cory!

Beijo, C.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Under pressure."


Joguei palavras ao vento, confessei que não era imortal. E embora convivendo agora com muito barulho, ares que desconheço mesmo já tendo me acostumado, estou procurando me manter firme. O cansaço não constitui o meu desespero, nem as noites mal dormidas, nem a informação incontida. O que pesa é manter-me ligada, atenta, um cérebro que precisa entender, duvidar, perguntar e pensar rápido.

Talvez seja um teste de fogo - ok, talvez não seja beeem assim -, mas estou competindo por algo, estou lutando pela escolha que muda o curso de vida de qualquer pessoa. É um desafio, e sempre faremos o condicionamento, porém encontraremos adversidades em qualquer caminho, pois o futuro tal como o sabemos é imprevisível.

Estou marchando - será adequado usar esta palavra? Não, eu não estou marchando, pois não vivo em um campo de concentração, nem tão pouco estou sendo obrigada a algo, pois fiz uma escolha. Só marcho no sentido de estar mantendo uma disciplina e me esforçando para mantê-la. Faço isso tudo para que no final tudo fique bem - e eu sei a qual bem me refiro.

"Under pressure!" Tão como a música do Queen. I'm feeling under pressure, but that's okay. Someday. after that all, I'm gonna see the rainbow - the one of mine.

Under pressure - Versão Keane.


Beijo, C.

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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A essência dos sonhadores.

Acho que precisamos de mais sonhos do que de sorte. Mas será que aqueles que sempre levaram uma vida mais séria e previsível dão valor a sonhos?

Comecei a sonhar na infância. Aliás, essa condição humana começa na infância de todas as pessoas. Nossos primeiros impulsos sonhadores podem começar na ficção audiovisual - os desenhos animados da tv, os filmes - ou nas ficções literárias. Meninos querem ser super heróis e meninas super stars. Crescemos um pouco e, ao passo que começamos a ter uma compreensão maior sobre aquilo que nos cerca, começamos a ter outros admiradores e inspiradores vindos agora do não-ficcional. Meninos e meninas passam a se inspirar nas estrelas do momento: atores, atrizes, cantores, jogadores de futebol, personagens esportivos e artísticos. Talvez em totalidade possam ser chamados de "famosos", porém na mente infantil passam-se como heróis reais - o que demonstra a possibilidade do "se eles são isso, porque não posso ser também?".

Resgatando meu passado, voltando a pensamentos e ideias dos sete aos doze anos de idade, lembro-me que meus maiores sonhos eram: tornar-me escritora, astronauta, estilista. Pergunto-me hoje o que teria me levado a sonhar com as duas segundas profissões, visto que a vontade de ser escritora eu sei de onde partiu. Costumo chamar de "Megrowling" - junção dos nomes das autoras dos primeiros livros que li na vida.

Enquanto crescemos, os sonhos se transformam. Quando digo que se transformam não quero dizer que mudam, pois quando os sonhos se transformam quer dizer que eles apenas se remodelaram a caminho de tornarem-se reais. Quando transformamos sonhos estamos os lapidando. Já se eles forem mudados significa que tudo o que criamos e sonhamos na infância caiu por terra. Eu lapidei as minhas vontades de ser escritora, astronauta e estilista. A astronomia e o estilismo foram deixados de lado, pois entendo que tais profissões são vértices da curiosidade e criatividade infantil que me acompanham até hoje - na quase vida adulta -, e subentendo que tudo isso se une à escrita. Esta, por sua vez, foi lapidada. Continuo com este sonho criado na infância e, conforme os anos passaram, continuei ostentando essa vontade, desejo, sonho e, determinantemente, objetivo.

Além dos sonhos que carregamos desde a infância, quando crescemos um pouco e ficamos mais cientes do mundo que nos cerca e melhor entendedores do cotidiano, percebemos que objetivos são, na verdade, sonhos. Todo objetivo é um sonho mascarado. Talvez criamos uma condição de que objetivos são em essência menores, ou mais fáceis de alcançar do que sonhos. A palavra sonho pode remeter à grandeza, ao difícil, ao surrealismo. E talvez seja este o sentido da palavra, o que mais certo é que devemos trazer em consciência é que precisamos tê-los, seja pela conotação de sonhos ou objetivos.

Sonhar é estar em contato com a matriz do imaginário, condensar no pensamento uma ideia que, primordialmente, parece louca, incabível, incogitável. Porém para os loucos sonhadores esta é a realidade.

Em essência, todos somos sonhadores, alguma vez nos confrontamos com algo impossível, improvável, e de repente tal loucura se torna um objetivo viável, pois passamos a quebrar as barreiras que tentam mistificar a nossa vontade e desejo. Sonhar tem de ser uma constância, pois sem isso não vivemos, a vida perde o encanto. Saberíamos por que vivemos se não tivéssemos sonhos? Precisamos mais de sonhos do que de sorte, pois são eles que movem o nosso mundo e a nossa vida.

Ser formos loucos teremos sonhos. Se formos loucos o suficiente lutaremos até o fim!

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O sonho se realiza em silêncio.


Em silêncio estamos compartilhando sonhos. Alguns sabem e sentem que estão diante de uma mudança imensa e intensa na vida. Nossa certeza não se equivale a 100% (nada o é por completo). Somos ambivalentes, entende esse termo? Nossas vontades são dúbias, se pudéssemos agarraríamos o mundo inteiro, ao invés de ter de escolher apenas uma opção. Porém ali estamos, significa que no emaranhado dessas possibilidades infinitas, decidimos apostar em algo.

Em silêncio, nossas mentes viajam, interpretam tudo o que precisamos saber para alcançar esse objetivo mútuo. Estamos fazendo a nossa parte para que daqui a algum tempo o nosso nome esteja brilhando em algum bom lugar. Sim, temos a visualização desse território em que a nossa estrela estará brilhando ainda mais.

Roo as unhas, outros roem também. Nervosismo? Cansaço? Expectativa? Ansiedade. Estamos regendo o futuro, zelando por ele enquanto seres humanos nervosos e ansiosos. Detonar as unhas é apenas um dos efeitos colaterais.

Pergunto-me o que me levou até ali, esse local cheio de mentes pensantes, de pessoas contemplando o mesmo objetivo e compartilhando um momento que talvez poucas pessoas vivam ou apreciem. Bom, quem diria... Até mesmo eu estava ali, passando por algo que surgiu em um pensamento outonal.
Sei que essa escolha vai me levar ao meu objetivo, mas antes que ele chegue, estou apreciando o dia-a-dia, apreciando o fato de estar aonde estou, compartilhando, vivenciando algo que fazia parte dos meus planos quero-saber-como-é, porém que mesmo sendo um "sonho", por assim dizer, eu havia guardado tal em uma caixa, aliás, pensei mesmo ter deletado da caixa aonde coloco o nome de "ainda-irão-tornar-se-reais."

Feliz pelo agora, pela experiência diferente e por enfrentar algumas adversidades, e até mesmo por contemplá-las. Pois é em situações adversas - consequências de nossas escolhas - que nos conhecemos melhor.

Em silêncio contemplo o sorriso daqueles que estão surpresos com a nova informação, em silêncio observo e aprendo, em silêncio eu sorrio e penso: "que bom ter reciclado velhos sonhos!"

Beijo, C.
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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A guia.

Um dia vou contar aos meus netos que, durante certo período da minha vida, foi minha atividade guiar cegos.
Lembrarei do dia de hoje, essa segunda-feira nublada e, em até certos momentos, preguiçosa.
Vou contar que foi esta uma das melhores e mais marcantes experiências da minha vida. A risada tão sincera, o carinho e o companheirismo de guiar dois cegos ao mesmo tempo.

Vou lembrar das pessoas olhando curiosas na rua a situação que se desenvolvia. E não apenas as pessoas da rua, mas os vendedores da loja. Sim, é claro que me perguntei o que estariam pensando, se por algum momento tentaram entender como funciona guiar outra pessoa que não vê. Aliás, se algum dia se perguntaram como é levar a vida no "escuro" total.

Ai vou dizer pra eles que o universo é besteira quando se está na pele de alguém que presencia algo assim. Todo o universo não passa de um borrão, e o que parece existir é somente o que você está sentindo e as duas pessoas com deficiência visual para as quais você está servindo como guia. Você assume o papel de olhos, mesmo estando fora do corpo delas.

E eu, enquanto conto a história aos meus netos, irei me perguntar se me entendem, se talvez um dia terão interesse em viver isso, compreender o quão impressionante e mágica podem ser as diferentes formas de se levar a vida.
Mas essas histórias que conto podem ser para mais pessoas do que apenas os meus netos que sabe-se-lá em qual ano chegarão, porém é uma forma de deixar registrado aqui que tal experiência é marcante, sobrepõe o tempo e vive constantemente a modificar a maneira como eu encaro as situações que me cercam.

Olho pela janela, que momento não ficará distante segundos depois de o termos vivido? É inevitável, mas qual seja o futuro que me aguarde em outras vias dessa mesma vida, sei que vou feliz, contente e cheia de histórias inspiradoras que continuam a remontar a vida que eu sinto "digna de um livro."

Um beijo, C.
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domingo, 1 de setembro de 2013

Feliz Setembro!



Um dos melhores meses do ano acaba de começar.
Na cidade onde moro, região Sul do país, Setembro chega em um dia chuvoso, neste ano de 2013, em um domingo.
Se houvesse sol, eu que iria sair pra comemorar a chegada desse mês lindo, porém com chuva e preguiça, quem tira o pijama em um dia assim?

Ao som de Surfando Karmas & DNA, eu chego ao fim deste primeiro dia do nono mês do ano. Pois é, quem diria que chegaria este tão rápido. Ainda lembro do verão, e já vem chegando a primavera. Ainda lembro da virada de ano, e tão pronto já será 2014.

Aliás, chegando ao assunto 2014, ontem fiquei sabendo que em fevereiro do próximo ano uma das bandas que eu perdi o show por bobeira (leia-se: falta de grana) ano passado, estará de volta! Lembra as músicas que comentei no post do domingo passado? Então... Parece que mais uma vez o pensamento surtiu efeito: Maná virá ao Rio Grande do Sul ano que vem! Essa informação colocada juntamente com outras novidades que estão à caminho farão de 2014 um ano divino. Mais alguém anda se identificando com isso? Espero que sim.

Enquanto ainda no ano de 2013, estou feliz que setembro tenha chegado - mesmo lotado de chuvas. Os motivos são simples: Setembro é flor, é amor, é cor. As pessoas ficam mais alegres com a chegada da primavera. Besteira tudo o que digo? Segundo o livro que comecei a ler ontem, "A realização espontânea do desejo", obra do fantástico Deepak Chopra, os meses, fases lunares e movimentos terrestres tem influência em nossa vida e humor. Aliás, o livro conta muito sobre física quântica e nos leva a pensar em todas as conexões das situações que vivemos no passado para aquilo que nos leva ao estado presente.

Que este mês seja lindo em todos os aspectos, que os sonhos sejam lapidados, repintados, revigorados. Que o medo fique para trás como uma história que ninguém vai retomar.
Que setembro nos revolva em leveza, pois ele é o começo da reta final chamada 2013.
Façamos o nosso melhor!

Feliz setembro, queridos leitores!
E muito obrigada pelas 6.000 visualizações de agosto.
Beijo, C.
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sábado, 31 de agosto de 2013

O impossível é sobrenome do medo - Fabricio Carpinejar.


Perdemos mais tempo arrumando desculpas do que vivendo.
Perdemos mais tempo adiando do que aceitando a dificuldade.
Perdemos mais tempo explicando a desistência do que enfrentando o sim.
Eu garanto que a fuga dá mais trabalho do que se encontrar. Porque estaremos longe, mas com saudade. Porque estaremos protegidos, mas vazios. Porque estaremos aliviados, mas entediados.

A vida é simples, milagrosamente simples.
A esperança é firmeza. Consiste em seguir adiante mesmo com pânico, mesmo com receio.

Não há como acalmar o coração senão vivendo.
Parece que nunca conseguiremos fazer, mas vamos fazer, acredite, toda a vida foi feita de sustos bons.
Somente tememos o que é importante. Somente temos dúvidas do que é essencial. Somente entramos em crise por enxergar com clareza a dimensão de nossa escolha.

Os riscos valorizam a recompensa.
Viver não é para solitários.Sempre tem alguém nos chamando para nos acompanhar no perigo.
Eu pensei que nunca percorreria o corredor de minha infância caminhando, mas o vô me esperava do outro lado. Eu caí e ele me levantou com suas mãos de regente.

Eu pensei que nunca me manteria equilibrado em uma bicicleta, mas meu pai fingiu que segurava a minha garupa e pedalei de olhos fechados com o vento me guiando.
Eu pensei que nunca aprenderia a ler e a escrever, mas a letra da minha mãe foi a escada para as histórias.

Eu pensei que nunca teria uma namorada, mas o beijo veio distraído no recreio da segunda série.
Eu pensei que nunca conseguiria nadar, mas os braços foram se revezando até atravessar a piscina.
Eu pensei que nunca passaria no vestibular, mas sacrifiquei noites e pesadelos para um lugar na faculdade.

Eu pensei que nunca teria filhos, eu pensei que nunca dividiria a casa com alguém, eu pensei que nunca seria dependente do olhar de uma mulher, eu pensei que nunca teria dinheiro, eu pensei que nunca seria feliz.
Eu pensei, mas fui fazendo, fazendo, fazendo.

O impossível é apenas o sobrenome do medo.
Você acha que somos impossíveis, mas é do impossível que o amor gosta.
O impossível é inesquecível.
O impossível é o possível repartido. O impossível é o possível a dois.

Escrito por Fabricio Carpinejar, publicado no Jornal Zero Hora em 30 de Julho de 2013.
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domingo, 25 de agosto de 2013

A calmaria da chuva.


Fazem três dias que o sol não aparece na cidade em que moro. Triste isso por si só, não é? E no somar a isso: chuva. E o que mais? Frio.

Achei que o final de semana ia ser pa-ra-do, daqueles em que as horas se arrastam, mas ao  mesmo tempo a vontade de sair de casa é muito pouca. Porém, expectativas foram quebradas. Acordei tarde nos dois dias, tirei todo o sono e cansaço atrasado. Curei a gripe. Ouvi Maná em todos os momentos em que estive no computador - inclusive agora. Fiz os temas, comecei a ler a 28ª obra literária de 2013. Tirei alguns planos que estavam guardados em uma caixinha, por assim dizer, e resolvi que era hora de colocá-los em prática.

Porém o que mais aproveitei nesses dois dias foi a simplicidade da rotina, a normalidade e convencionalismo que esta trás. É verdade, em meio a uma vida louca, inusitada, cheia, a mil-por-hora, é preciso de calmaria também.

E o que é a calmaria? Pode ser um combo: Pipoca de chocolate, chimarrão, fogão-a-lenha, amigos e família reunida.
Pode ser uma overdose de uma banda que admiramos e que gostaríamos de presenciar um show.
A verdade é que cada um de nós tem o próprio jeito de encontrar a calmaria. Feliz daqueles que as vivem!



Já são mais 48 horas de chuva, em mais um domingo que nos convida a começar uma nova semana.
E que todo esse descanso se reflita em energia para lutarmos por o que é nosso por direito e por esforço.

Ótima semana!!

Beijo, C.
Ficou sabendo da novidade? Acesse o site http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/5223072 e confira o meu primeiro livro!
Chegamos às 600 curtidas! Obrigada !!! Continue acessando https://www.facebook.com/doceestranhomundodecarol

Por Onde Andei - O livro.


Boa tarde queridos leitores desse Doce Estranho Mundo! (:

Venho contar a vocês que está disponível - no formato digital - o meu primeiro livro. Ele conta a história de uma garota que ficou alguns dias em um dos países mais ricos culturalmente - o Perú. O preço é R$1,99. Decidi colocar um valor baixo, pois a minha intenção é mesmo divulgar a obra e por meio dela atrair mais leitores para o meu blog!

Segue o link para quem quiser adquirir a obra em formato digital: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/5223072


Um Beijo, C.
Continuem a curtir a página do blog (;
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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Trechos do livro "Do jeito que nós vivemos" - Moacyr Scliar.


"Meu palpite é de que, na Batalha Final, vencerá quem tem menos colesterol. E menos pressa para as coisas da vida."

"(...) No fundo, domina-o a ansiedade, que é, ao fim e ao cabo, a ansiedade existencial, aquela ansiedade que nós todos temos e que deriva da consciência de nossa finitude."

"De qualquer jeito é sempre bom acreditar na dignidade das pessoas, por mais humilde que seja a tarefa delas."

"Imaginação muda a nossa vida. Se a imaginação transforma um pedaço de madeira com pregos num navio poderosamente armado, então seguramente, estamos prontos para conquistar o mundo."

"Pais e mães são pessoas que compreendem. Compreender significa ver os outros como realmente são, sem lhes conferir poderes que não têm, sem enxergar neles defeitos fictícios e, principalmente, sem projetar neles nossas fantasias."

"O essencial não está na densidade demográfica da casa. O essencial está no relacionamento entre as pessoas."

Trechos retirados do livro Do jeito que nós vivemos, de Moacyr Scliar.
Beijo, C.
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Comprar livros é uma coisa. Ler é outra - Moacyr Scliar.

"O livro, tal como o conhecemos, é um objeto que tem quinhentos ano e que, nesse período, muito pouco mudou. Entre os best-sellers que vemos nas livrarias e as bíblias que Gutemberg imprimia a diferença é só de grau. Sim, as capas são mais chamativas, a temática e o estilo mudam, assim como os autores; mas o formato básico permanece. Já se previu que o computador substituiria o livro, mas os leitores habituais não trocam a página escrita por uma tela. Mesmo porque, se pensarmos bem, o livro é um objeto prático. Livro não precisa de baterias ou de energia elétrica, livro não enguiça, livro não tem luzinhas, livro não faz barulho, livro pode ser levado para o banheiro. O livro é um triunfo cultural e também tecnológico.

Há um único problema: o livro foi feito para ser lido. E isso é um problema, porque nem todos gostam de ler. Mais: há quem fale mal dos livros. Até mesmo na Bíblia, um termo grego que significa exatamente livros, há um diatribe contra o texto escrito. Diz Eclesiastes: "Escrevem-se livros sem fim e o estudo continuado é a fadiga da carne". O anônimo autor dessa passagem tem muitos seguidores. Ao longo dos séculos, leitores ilustres queixaram-se da quantidade de títulos editados. Quando, em 1781, o historiador Edward Gibbon levou-lhe o segundo volume de sua monumental obra Ascenção e queda do Império Romano, o duque de Gloucester reclamou: Another damned, thick, square book! Always scribble! Eh, Mr. Gibbon? (Outro maldito, grosso, quadrado livro! Sempre escrevinhando, escrevinhando, escrevinhando! Não é, Mr. Gibbon?).

Havia também uma pressão social para a leitura de certos livros. O escritor inglês do século XVII, Samuel Pepys, escreveu em seu diário que havia jogado fora a obra de seu conterrâneo Samuel Butler, Hudibras, demasiado ingênua para ele; mas seus amigos aristocratas falavam tanto a respeito do livro que se vira obrigado a comprá-lo de novo. "Somos obrigados a ler qualquer obra estúpida que a moda transforme em assunto de conversação", queixou-se, um século mais tarde, o também inglês e também escritor Samuel Richardson, e ninguém menos do que Goethe acrescentou: "Um livro do qual todo mundo fala inibe nossa capacidade de julgamento". Nesse princípio, aliás, baseia-se o best-seller.

Livros demais! É o título de uma obra do poeta e ensaísta mexicano Gabriel Zaid (Editora Summus). Ou seja: até um escritor se queixa do excesso de livros.
Não é de admirar que muitos livros não sejam lidos. Comprá-los até que não é difícil; hoje em dia existem edições baratas, acessíveis, e podemos até mesmo recorrer aos sebos. As pesquisas, porém, mostram resultados perturbadores; uma delas, realizada nos EUA, mostra que a maioria das pessoas que compram um best-seller não termina de lê-lo.

Criar um comprador é questão de mercado. Criar um leitor é questão de educação, um processo que começa em casa quando os pais lêem para os filhos pequenos, continua na escola, no círculo de amigos, na universidade. Qual a diferença nos dois processos? A intensidade do vínculo emocional. Quando um pai entusiasmado, ou uma professora entusiasmada, ou um amigo entusiasmado nos garante que a leitura de determinado livro é importante, temos dois tipos de motivação para a leitura: um é o livro propriamente dito, outro é o afeto que temos por esse pai, por essa professora, por esse amigo. Leitores formam uma irmandade, uma afetiva família. É isso o outro mérito do livro. Um mérito que já tem quinhentos anos.

Texto retirado do livro "Do jeito que nós vivemos", escrito por Moacyr Scliar.

Beijo, C.
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Ainda não sei quem é você.


Converso contigo alguns minutos, e já não tenho mais sono. Paixão é um troço louco.
Ainda não sei quem é você, e após aquele dia, eu jurei de pés juntos que não iria haver depois. Quer dizer... Você mora muito longe, vive em outros lugares... Eu não sei quem é você.

Mas estamos conectados. Nesse papo que a gente levou depois que nos conhecemos, já tirei algumas conclusões. Somos parecidos, você digita exatamente o que eu estava pensando em dizer. Eu te mimo, ganhaste um apelido. As conexões ligaram.

Só que sabe quando a gente sente que 'as coisas não são bem assim'? Pois é, elas não são. Pelo menos não entre você e eu. Acho linda a parte de conhecer alguém, de repente sentir uma emoção diferente por dentro - e que essa acaba fazendo com que a gente queira tal pessoa por perto. Mas não é bem assim. A gente conversa, a ideia liga. Temos muito de igualdade, porém conversamos de menos. Eu acho que naquele dia você se apaixonou - como confesso que também eu me apaixonei.

Mas essa história eu já não conto mais. Posso manter tua paixão acesa quando o meu pensamento é em ti e automaticamente te vejo me chamar no chat. Posso te mimar, continuar sendo desse meu jeito traiçoeiro e te ver encantado. Tu podes continuar me chamando de princesa. Pois eu acho que é isso que tem de sobreviver. Encanto a gente pode ter a qualquer momento por outra pessoa, ninguém sabe quando vai acontecer. E como se sabe: distância gera esquecimento.

Se você estiver lendo este texto, use as dicas para se manter próximo de alguém - seja eu ou um futuro amor que você tenha e se você realmente estiver apaixonado pela garota: Pergunte mais, queira saber quem ela é, lembre dos apelidos mais carinhosos que ela te confessou ter na primeira vez que vocês se encontraram. E quando ela pedir um autógrafo daquela banda que você vai ao show, não responda simplesmente: "Quem sabe/Vou tentar". Diga: "Por ti sim, princesa!". É claro que muito provavelmente você não consiga, mas garota que é garota quer saber se você é "o cara" da vida dela. Enfim, como você mora longe, não fique apenas na promessa de que irá visitá-la. Chegue, e de surpresa. O contato telefônico dela você já tem.

Um beijo, C.

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Trechos de "O livro de Julieta".

Na foto: Eu e João. Durante pouco mais de um ano trabalhei junto a crianças com Síndrome de Down. Experiência maravilhosa!

"Na vida, não podemos escolher mais do que duas ou três coisas, que não costumam ser as mais importantes. Mas sempre nos resta o consolo de reclamar que não nos deixaram escolher, que alguém nos impôs certas coisas, que não fomos avisados, não tivemos tempo de reagir, não estavamos preparados (e quem está?). Em segredo guardamos a ideia de que nosso futuro é inquietante (temos medo de falar dele), mas gostaria de acrescentar algo a isso: a escolha da nossa atitude diante de circunstâncias que não podemos alterar, a decisão de como seguir em frente com a vida a partir de agora, nossa maneira de encará-la, o tipo de pessoa em que estamos nos transformando, tudo isso são escolhas íntimas e pessoas, que só devemos à nós mesmos."

"Imaginamos nos conhecer bem, mas, quando alguma coisa acontece de repente, quando algo importante surge em nossas vidas, essa presunção cai como um castelo de cartas. E é em momentos assim, de dificuldade, que descobrimos quem realmente é essa pessoa em cujo nome falamos e atuamos."

"Amar Julieta é muito fácil. Quer dizer, é impossível não amá-la. O problema é nossa maldita educação, o que arrastamos desde a infância. Em muitas casas nos educam para a inteligência, e não para o amor. A sociedade também nos leva por esse caminho. Desde que nascemos, não paramos de fazer testes e provas de inteligência para passar a níveis superiores. O sistema educativo e social nos ensina, de várias maneiras, que a habilidade de conseguir dinheiro, respeito e status depende de nossas faculdades intelectuais. Sem falar na ambição que temos incrustada no cérebro e nas carências que projetamos nos filhos."

"Quanto mais tento me esquecer daquela mulher, mais clara sua imagem vem à minha mente: o rosto varonil, as rugas da testa, a rudeza das palavras, o tremor daqueles lábios que pareciam murmurar. Acho que, no fundo de sua cabeça, ardia a brasa de um sonho não realizado."

*** Trechos retirados da obra "O livro de Julieta", da autora Cristina Sánchez-andrade.
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Beijo, C.

domingo, 18 de agosto de 2013

Mais conclusões.


Escrevo esse texto ao som de Nickelback - o que faz com que minhas palavras tenham um toque de romantismo.

No play a música "I'd come for you". Por ser domingo, faço o meu fechamento da semana. Foram durante 4 dos últimos 7 dias que eu tornei mais um sonho, objetivo de 2013, em realidade. A sensação é maravilhosa, e também inquietante. É aquela visualização do céu, estrelas e o pensamento: "Yes!! Consegui, estive lá. Enfim, alcancei". Inquietante é a parte do: "E agora?". Agora é a busca da concretização dos outros sonhos.

Vez por outra a gente chega na conclusão que o passado que vivemos não poderia ser tão errado assim. Quer dizer, no fundo tudo o que já passamos tem um porque para ter nos levado no presente momento em que nos encontramos. Essa foi a semana em que dei-me um parabéns mental por ter dado valor a um garoto que cruzou o meu caminho há um certo tempo atrás. Hoje a vida é outra, claro, os dias e até mesmo anos passaram desde aquele momento, mas fiquei feliz por ter dado uma chance a ele, mesmo que eu não me sentisse atraída/apaixonada por ele. Está certo, também não abri a oportunidade por abrir, eu curtia o estilo dele. E, sim, eu acredito que o cumprimento e tratamento agradável que temos um com o outro hoje é uma consequência da história vivida lá trás.

Todas as conexões e o modo com as estabelecemos no passado é que gerarão suas consequências no futuro. Tudo vai depender o que fomos para saber o que delas irá durar. E quando isso for bom, a sensação que teremos é de que assim tinha de ser. Tão imperfeitas que as coisas são, tal se estabeleceu da forma imperfeita que quase chegou à perfeição.

O tempo anda passando rápido. Essa semana cheguei ao alcance de mais um sonho. Tive a percepção que valorizei um garoto de bom coração, que me reconheceria no futuro e preservaria o nosso lance do passado. Estava com uma vontade de louca de comer chocolate e até o presente momento em que escrevo este texto, achei que tal ia ficar só na vontade, visto que não tenho chocolate em casa. Porém chegou-me a informação que pastéis de chocolate estão saindo do forno.
 É, vai entender... A vida é mesmo essa loucura e desejos. Esta desenfreada busca e realização de sonhos, e essa conclusão de que tanto as vivências boas como as ruins tem a sua importância e consequência. Façamos o melhor de tudo o que não nos for digno de escolha; amemos as consequências daquilo que optamos.

Boa semana!
Beijo, C.
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sábado, 17 de agosto de 2013

Trechos do livro "Perdas necessárias".


"Crescer significa estreitar a distância entre os sonhos e as possibilidades."

"Ora, durante os anos poderosos da latência, a criança tem a ilusão de ter resolvido o problema do quem-sou-eu. Mas, sob ataque da puberdade, o senso do eu, da individualidade, da identidade, como que se derrete, transformando-se em algo confuso e evasivo."

"Cada um de nós é o artista do próprio eu, criando uma colagem - uma obra de arte nova e original - com fragmentos e recortes de identificações."

"(...) As pessoas com quem nos identificamos são sempre, negativa ou positivamente, importantes para nós. Nossos sentimentos para com elas são de certo modo sempre intensos."

"Crescer exige tempo, e pode demorar muito aprender a equilibrar os sonhos com as realidades. Podemos levar muito tempo para aprender que a vida é, na melhor das hipóteses, "um sonho sob controle" - que a realidade é feita de conexões imperfeitas."

"Pois, mesmo quem tem a sorte de conseguir um, ou dois, ou três "melhores amigos", aprende que as amizades são conexões imperfeitas."

"Amigos de gerações diferentes - o mais jovem dá ânimo ao mais velho, o mais velho orienta o mais jovem. Cada papel, de mentor ou de aprendiz, de adulto ou de criança, oferece seu próprio tipo de gratificação (...). As palavras que aconselham são aceitas como sábias, não inoportunas. (...) É possível ter prazer nessas conexões dispares entre gerações diferentes."

"Amigos íntimos contribuem para nosso crescimento pessoal. Contribuem também para nosso prazer pessoal."

"Serão necessários meses, talvez anos, para que a mente e a memória reúnam os detalhes e compreendam a verdadeira extensão da perda."

"Choramos a perda de outras pessoas. Mas vamos chorar também a perda de nós mesmos - das antigas definições das quais nossa imagem dependia. Os fatos da nossa história pessoal nos redefinem. O modo pelo qual os outros nos veêm nos redefinem. E em vários pontos de nossa vida teremos de abandonar a auto imagem antiga para seguir em frente."

"Descobre-se, por exemplo, que é possível conhecer os próprios sentimentos sem automaticamente agir de acordo com eles.
Descobre-se também que sentimentos conhecidos e reconhecidos são mais fáceis de ser controlados do que os sentimentos negados."

"Mas quando ela cresceu, seu sorriso ficou mais largo, com a sugestão de medo e o olhar, mais profundo. Agora ela está consciente de algumas das perdas que sofremos por estarmos aqui - o aluguel extraordinário que se paga durante toda a permanência."

"Pois não se pode amar profundamente alguma coisa sem se tornar vulnerável à perda. E não se pode ser um indivíduo separado, responsável, com conexões, pensante, sem alguma perda, alguma desistência, alguma renúncia."

Trechos retirados do livro Perdas Necessárias, de Judith Viorst.
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Beijo, C.

Trechos do livro "O Centauro no Jardim" - Moacyr Scliar.


"Não é pelo Cooper não, é pelo desafio. Vida sem desafio não vale a pena".

"As primeiras lembranças, naturalmente, não podem ser descritas em palavras convencionais, são coisas viscerais, arcaicas."

"Lê, meu filho, lê que essas coisas que tu aprendes nunca ninguém vai poder te tirar".

"Correr é bom (...) Dizem também que a corrida clareia a mente, que o cérebro, agitado dentro do crânio, libera todas as preocupações, as obsessões."

Trechos transcritos do livro O Centauro no Jardim, Moacyr Scliar.

Beijo, C.
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domingo, 11 de agosto de 2013

Alguns dos R$30,00 mais bem gastos do ano - Show do Humberto Gessinger.


As luzes se apagaram no All Need Master Hall. Arrepiante.

Humberto entrou no palco com o baterista (perdoem-me, não consegui gravar o nome) e com o guitarrista/vocal 2 Esteban Tavares.

Cantou sucessos de toda a carreira musical - a solo, a com o Engenheiros, a em parceria com a banda Pouca Vogal e também uma parceria com o Esteban Tavares.

Para saltitar o coração de todo mundo, 1berto cantou Pra ser sincero, Somos quem podemos ser, Terra de gigantes, Piano bar, O preço, Surfando em Karmas & DNA, Até o fim, Eu que não amo você, parabólica, Outras frequências, Exército de um homem só, entre outras.

Fizeram duas saídas do palco. O público - e eu também - enlouquecido gritava "Mais um, mais um, mais um". Na primeira volta tocaram "Dom Quixote" e "Refrão de um bolero". E na segunda volta além de duas outras músicas, tocaram "Infinita Highway".

Fiquei muito feliz por ter ouvido o Humberto tocar durante duas horas! Sendo que praticamente tocou todas as músicas que eu desejava ouvir. A verdade é que as canções são tão maravilhosas e inteligentes que fazem com que eu ame todas as músicas! Queria que o show durasse 5 horas, então assim, talvez, desse tempo de escutar todas as canções dele - carreira solo - e da época dos Engenheiros.

O público foi fiel. Acompanhou todas as canções e cantou com entrega. Humberto terminou o show dizendo que voltaria novamente para cantar as músicas do novo cd, que será lançado em breve.

Foram os R$30,00 mais bem gastos do ano!

Obrigada Humberto!! Tu é demais.



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Temos que combinar um café.

Acabei de ler o livro "Perdas Necessárias", de Judith Viorst. Livro este que veio de encontro a quebrar alguns paradigmas que eu possuía, e por consequência modificar alguns pensamentos.

À primeira vista, julguei a obra como um livro de autoajuda, cheio de frases que poderiam me inspirar a saber perder (tal como prevê o título da obra). Porém o livro é muito mais que isso. Não se itera na autoajuda, mas sim na psicologia - nas perdas conscientes e inconscientes que sofremos desde o momento que nascemos. Aliás, nascemos perdendo quando deixamos o conforto e a segurança da barriga de nossas mães.

Pois bem, o livro evidenciou ainda mais a saudade que tenho de algumas pessoas pelas quais possuo enorme admiração e que encontro até com certa frequência, mas que até pouco mais de um ano atrás eu costumava encontrar diariamente.

"Temos que combinar um café", foi o assunto do e-mail que enviei para a minha saudade. "Não precisa ser logo", também anunciei na mensagem, mas breve... Quem sabe setembro! Agosto aqui no sul o tempo frio e chuvoso complica os planos para todo mundo.
"Temos que combinar um café", pois pessoas que nos edificam quando estamos em contato - e mesmo à distância - fazem uma falta danada. E são elas que torcem pela concretização de nossos sonhos, por tudo o que o futuro proporcionou a elas, e agora se tornou a nossa vez.

Livros me lembram pessoas, livros me deixam com saudade de pessoas. Livros me conhecem... Livros me inspiram a convidar saudades para um café.

Bom final de semana! Boas leituras... E aqui no sul: Bom frio!
Beijo, C.
Cuuuurta as frases do livro Perdas Necessárias em: https://www.facebook.com/doceestranhomundodecarol

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Outros trechos de um livro maravilhoso - História do Cerco de Lisboa.


"-Somos diferentes, pertencemos a mundos diferentes. (Raimundo)
- Que é que sabe dessas diferenças todas, nossas e dos mundos? (Sara)
- Imagino, vejo, concluo.
- Essas três operações tanto podem levar à verdade como conduzir ao erro.
- Admito-o, e o erro maior, neste momento, terá sido dizer-lhe que gosto de si.
- Por quê?
- Nada conheço da sua vida particular, se é casada...
- Sim
- ...Ou de qualquer maneira comprometida como antigamente se dizia...
- Sim, imaginemos que sou realmente casada, ou que tenho um compromisso, impedí-lo-ia isso de gostar de mim?
- Não.
- E se eu fosse realmente casada, ou tivesse um outro compromisso, imperdir-me-ia isso gostar de si, se tal tivesse de acontecer.
- Não sei.
- Então tome nota de que gosto de si."

"(...)Por que é que gosta de mim? (Raimundo)
- Não sei, gosto. (Sara)
- E não teme que quando começar a saber, possa começar a não gostar?
- Ás vezes acontece mesmo muito.
- Então?
- Então, nada! O depois só depois é que se conhece."

"A grande prova de sabedoria é ter presente que mesmo os sentimentos devem saber administrar o tempo".

"(...)Impaciente por o tempo ser afinal a mais vagarosa das coisas deste mundo, caprichoso também, ou embirrento."

"Há ocasiões em que tivemos a impressão de que alguém estava lá fora à espera, e quando fomos ver não era ninguém, e há outras em que chegamos apenas um segundo tarde de mais, e tanto fazia, a diferença é que, neste caso, ainda podemos ficar a perguntar-nos: "Quem terá sido?" e levar o resto da vida a sonhar com isso."

"- É esta a primeira vez que lhe falo das coisas particulares da minha vida.
- As coisas que julgamos particulares são quase sempre do conhecimento geral. Não imagina o que é possível ficar a saber em duas ou três conversas aparentemente desinteressadas."

"(...) - Estou cada vez pior, outro no meu lugar saberia como proceder.
- Outro no seu lugar teria aqui outra mulher."

"- Diz-me como vives e eu saberei quem és.
- Pelo contrário, dir-te-ei como não deves viver se me disseres quem és.
- Ando a tentar dizer-lhe quem sou.
- E eu a tentar descobrir como vamos viver."

"Nunca saberemos até que ponto as nossas vidas mudariam se certas frases ouvidas mas não percebidas tivessem sido entendidas."

"(...)Mas há pessoas a quem atrai mais o duvidoso que o certo, menos o objeto do que o vestígio dele, mais a pegada na areia do que o animal que a deixou, são os sonhadores."

"É como tudo: pode ser dita em dez palavras, ou em cem, ou em mil, ou não acabar nunca."

"- Que mundo este, em que tais coisas se acreditavam  e escreviam.
- Eu diria antes: em que tais coisas não se escrevem, mas acreditam ainda hoje.
- Definitivamente estamos loucos!
- Nós dois?
- Referia-me às pessoas em geral.
- Sou daqueles para quem o ser humano é desde sempre um doente mental.
- Para lugar-comum não está mal.
- Talvez lhe soe menos a lugar-comum a minha hipótese de a loucura ter resultado do choque produzido no homem pela sua própria inteligência, ainda não nos repusemos do abalo três milhões de anos depois."

"Muito enganado está quem cuide que é fácil pronunciar um nome, no amor, pela primeira vez."

"Afinal as possibilidade dependem de meios mais ou menos comuns a toda a gente mas falta-lhes evidentemente requinte e imaginação, talento para o movimento sutil, jeito para a suspensão sábia, enfim civilização e cultura."

"Mogueime não sabe se tem medo de morrer. Acha natural que morram outros, nas guerras sempre está a acontecer, ou é para que aconteça que as guerras são feitas, mas se a si mesmo fosse capaz de perguntar que é o que realmente teme nestes dias, responderia talvez que não é tanto a possibilidade da morte, quem sabe se já no próximo assalto, mas outra coisa a que simplesmente chamaríamos perda, não da vida em si, mas do que nela sucede, por exemplo, se podendo Ouroana vir a ser sua depois de amanhã, quisesse o destino ou a vontade de Nosso Senhor que a depois de amanhã ele não chegasse por ter de morrer amanhã mesmo."

"Entreguemo-nos à aparente clareza dos atos, que são os pensamentos traduzidos, ainda que na passagem destes para aqueles sempre algumas coisas se tirem e se acrescentem, o que finalmente virá a significar que sabemos tão pouco do que fazemos como do que pensamos."

"- Porquê? Onde?
- Respondo primeiro à segunda parte da pergunta. Dormi lá dentro, num divã.
- E porquê?
- Porque sou um garoto, um adolescente a quem os cabelos brancos vieram cedo de mais, porque não fui capaz de me deitar aqui sozinho, só isso."

"(...) Porque ninguém sabe o que o beijo é verdadeiramente, talvez a devoração impossível, talvez uma comunhão demoníaca, talvez o princípio da morte."

"- Porque não há saída, vivemos num quarto fechado e pintamos o mundo e o universo nas paredes dele.
- Lembra-te de que já foram homens à lua.
- O seu quartinho fechado foi com eles.
- És pessimista.
- Não chego a tanto, limito-me a ser cética da espécie radical.
- Um cético não ama.
- Pelo contrário, o amor é provavelmente a última coisa em que o cético ainda pode acreditar."

"Maria Sara riu e disse: - Gosto mesmo de ti! E Raimundo Silva: - Estou a fazer o possível para que assim continues!"

"(...) - Tenho-me divertido ou instruído, aos poucos, a descobrir a diferença entre olhar e ver e entre ver e reparar.
- É interessante, isso.
- É elementar, suponho até que o verdadeiro conhecimento estará na consciência que tivermos da mudança de um nível de percepção, para dizê-lo assim, a outro nível."

"Não se deve julgar mal o que bem ainda não teve tempo de provar-se."

"Da complexidade da alma humana tudo deveremos esperar."

"Também do coração se pode esperar tudo, até a harmonia das suas contradições."

"Não cabem mais coisas num ano do que num minuto só por serem minuto e ano, não é o tamanho do vaso que importa, mas sim o que cada um de nós possa pôr nele, ainda que tenha de transbordar e se perca."

" Seis passos. Um homem caminha léguas e léguas durante uma vida e dessas não aproveitou mais do que fadiga e feridas nos pés, quando não na alma, e vem um dia em que dá seis passos apenas e encontra o que buscava."

" - Em verdade, penso que a grande divisão das pessoas está entre as que dizem sim e as que dizem não, tenho bem presente, antes que mo faças notar, que há pobres e ricos, que há fortes e fracos, mas o meu ponto não é esse. Abençoados os que dizem não, porque deles deveria ser o reino da terra.
- (...) O reino da terra é dos que têm o talento de pôr o não ao serviço do sim, ou que, tendo sido autores de um não, rapidamente o liquidam para instaurarem um sim."

"Que nada no futuro seja menos do que isso".

Trechos do livro História do Cerco de Lisboa - José Saramago.
https://www.facebook.com/doceestranhomundodecarol

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A saga começa (no imaginário).


Aos 23 anos ela escreveu que queria estar casada aos 28.
E aconteceu. O marido não seria aquele que escolhera aos 23, era outro, mas o amava tanto quanto aquele, à ponto de estar com o casamento marcado. Empacotou os quadros, guardou todos os objetos em uma caixa, providenciou a mudança, porém não iria se casar. Ainda imaginava tal coisa acontecendo no futuro, mas por enquanto estava nos 19 anos.

Imaginava que somente um casamento iria tirá-la de casa de verdade. Por enquanto só via-se em algumas fugas, viajar, ficar fora por um, dois, três anos, e depois voltar ao bom e velho e doce lar! Só que nesse meio tempo de imaginações, o mundo girou. Oportunidades surgiram, velhos sonhos foram resgatados. Ia embora de casa não por que iria se casar, não por que iria morar com algum outro parente. Ia embora de casa para ser alguém para o mundo - para o seu próprio e o dos outros.

Mas não era agora. As caixas nem haviam surgido, tudo continuava na sua devida organização e lugar. Ela iria, sim. Datas ainda não haviam, nem mesmo lugar para ficar. A ansiedade é que comandava o momento, e este texto era a sua forma de desabafar. "Tudo ao seu tempo/ Viver um dia de cada vez".

A saga verdadeira começa em breve. Por enquanto se dispõe nesse texto, e no setor imaginário.

Beijo,C.



domingo, 4 de agosto de 2013

Inconcluso.


Como começo este texto dominical?
Será que confesso que no play está Engenheiros do Hawaii - Ao vivo MTV, e que agora começa a música Dom Quixote?
Ou será que já confesso meus pensamentos de encerramento ou começo de semana?

O tempo passa, mudanças. Mas parece que as coisas continuam iguais, a mesma rotina, a busca infindável pelo nosso espaço e conquistas no mundo. Conquistas exigem riscos, e com o tempo nos tornamos mais "descorajosos".

Esse final de semana comecei a ler "Perdas necessárias" da escritora Judith Viorst. O lance é psicologia. Na contracapa o que lê-se sobre o livro é que ele inspira ao autoconhecimento. Perdas nos fazem crescer. Logo quem tem medo de perder, não cresce? É o que este livro vem a me mostrar. Logo quem quer ser independente, ter, digamos, o seu espaço no mundo tem de saber administrar as suas perdas.

É nesse ponto que me pego pensando que o fato de tantas coisas continuarem iguais é porque existe uma raiz que ali não permite que a vida se renove, que os ares troquem, que o sentido seja outro - talvez aquele que fosse o certo.

É o medo. Será por quanto tempo ele vai tomar a conta de tudo? Dos nossos planos? Do nosso destino? Uma vez uma psicóloga me disse: "Quanto mais velhos ficamos, mais difícil de mudarmos".

Qual o conselho? Atire-se ao mundo cedo. Voltar, você sempre vai poder. Se der errado, recomece. Mas vá, o mundo é louco, bom e ruim, como tudo. E nele aventuras te esperam.

Permita-se!

Boa semana!
Beijo, C.
https://www.facebook.com/doceestranhomundodecarol

+ Trechos de um livro maravilhoso - História do Cerco de Lisboa.


"(...) O que não exclui a hipótese duma coincidência, num mundo onde elas são tão fáceis".

"Um terço das nossas curtas vidas passamo-lo a dormir, não há quem o ignore, e tanto que basta ter olhos para a nossa própria experiência, entre o deitar e o levantar as contas são boas de fazer, descontando as insônias quem delas sofra, e, no geral, o tempo gasto nos exercícios noturnos da arte amatória, ainda e sempre estimados e praticados às horas ditas mortas, apesar da crescente divulgação dos horários flexíveis que, nesse e em outros particulares, parecem encaminhar-nos finalmente para a realização dos dourados, sonhos da anarquia, isto é, aquela idade apetecida em que cada um poderá fazer o que lhe der na real gana, sob a única condição, elementar, de não ferir ou limitar a real gana dos seus próximos."

"Quantas vezes, ao longo da vida, vai uma pessoa à janela, quantos dias, semanas e meses ali passou, e porquê. Geralmente, fazemo-lo para saber como o tempo está, para estudar o céu, para acompanhar as nuvens, para devanear com a lua, para responder a quem chamou, para observar a vizinhança, e também para ocupar as olhos distraindo-os, enquanto o pensamento acompanha as imagens do seu discorrer, nascidas como nascem as palavras, assim. São relances, são momentos, e longas contemplações do que não chega a ser olhado, uma parede lisa e cega, uma cidade, o rio cinzento ou a água que escorre dos beirais".

"Que doce e suave tristeza, e que não nos falte nunca, nem mesmo nas horas de alegria".

"Os homens, no geral, pouco tempo tiveram para ser meninos, e alguns não o foram nunca, como se sabe e escreveu, e outros ficaram assim para sempre mas não se atrevem a dizê-lo".

"Meu Deus, tende piedade dos homens que vivem de imaginar".

"O mau é que muitas vezes o destinatário ouve a frase mas não dá pela intenção".

"Se não há mistério da escrita, tão-pouco o haverá no escritor".

"Isso a que modernamente chamamos conflito de gerações talvez não seja muito mais do que uma questão de diferenças de linguagem".

"De tais bem-aventuranças não posso dizer que tenha grande experiência, pouco mais faço que observar o mundo e aprender de quem sabe, noventa por cento do conhecimento que julgamos ter é daí que nos vem, não do que vivemos, e é lá que está também o apenas pressentido, essa nebulosa informe onde ocasionalmente brilha uma súbita luz que damos o nome de intuição".

Trechos retirados do livro "História do Cerco de Lisboa" - José Saramago.
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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Eu não sei quem é você.

Leia escutando:

Eu não sei quem é você. Tão pouco te dei atenção logo que você começou o papo comigo, mas sinto que compartilhamos algo. Não sei ainda que nome tem isso - e nem mesmo arrisco se é possível nomear. Como tu mesmo me disseste, "Pra que falar, se o olhar diz tanto?". Me senti ao teu encontro.

Comecei com uma brincadeira. É verdade, curti o seu nome e até achei incomum. "Seu nome tem ar de americano! Que chique". E ao mesmo tempo nós dois citamos o nome daquele cara famoso e você concluiu, "É por causa dele né?". Sorrimos. Criamos um elo de simpatia após os primeiros 15 segundos que conversamos.

Confesso que sou observadora, que costumo querer gravar fisionomias, mas particularmente naquela manhã eu estava fechada para o mundo. Era muito cedo, o tempo estava frio demais. Eu não estava pronta para estar lá, nem queria quebrar mais este paradigma. Por que voltar a conviver com pessoas de tantos lugares, em pleno frio? Era o dia mais frio da última década, estava indo bem demais no meu novo emprego, porém topei ainda assim participar daquele evento. A escolha já tinha sido feita, e é feio desistir em cima da hora. Fui, morrendo de frio, cheia de roupas e fechada para o mundo.

Diga, é comum... A gente sempre encontra pessoas para as quais nós chamamos a atenção, e nós, meros mortais, nem nos damos por conta.
Você chegou com um oi gigante, e o meu primeiro pensamento mundo-fechado foi: "Mas que que esse cara quer? Será que conheço? Só pode estar de brincadeira." Sim, eu costumo ser dessas pessoas carinhosas, sentimentais que sorriem, abraçam, gostam de demonstrar, mas justamente aquelas primeiras horas da manhã eu só queria ficar no meu mundo, só, mesmo rodeada por muitas pessoas. E quando digo muitas, me refiro estar no meio de mais de cinco mil pessoas.

Durante a manhã fui refletindo sobre o tal de oi - isso com certeza marca e desarma. A maioria das pessoas não tem essa coragem de ... chegar-chegando, digamos. E pensei comigo mesma: "Bom, então se chegou dessa maneira, vou dar espaço. Vamos ver quem é e o que quer."

Então descobri o seu nome - você já sabia o meu, pois estava no meu crachá. E aí fiz a brincadeira, te chamei de americano e a simpatia/empatia surgiu. Gostei de você. Pela talvez uma hora completa em que pudemos dialogar, acabei te reconhecendo sonhador. Talvez não tenhas percebido, mas você respondeu muito mais do que perguntou. Quem queria descobrir a pessoa que se escondia por trás do nome de americano era eu, apesar do teu interesse em me descobrir ter surgido primeiro.

Te achei atraente, mas logo me peguei a pensar que isso não era difícil de acontecer a cada garota que pra ti olhasse. Não sabes, mas faz um bom tempo que rostinhos bonitos não me conquistam - esse é um sonho juvenil sem nenhum conteúdo.

Fui te descobrindo e a partir do primeiro julgamento que fiz, acabei me descobrindo certa. És um sonhador. E sonhadores, como bens deve saber, se reconhecem. Talvez por isso é que surgiu aquele instante em que nenhum de nós dois nada disse, mas ao meu lado estava e descobri-te muito perto. Algo ligou. Esse é o silêncio que tu tanto falas, para que existem palavras? O silêncio diz tudo.

Depois daqueles dias, por meio dessas redes sociais modernas e tecnológicas, acabei descobrindo tanto mais de ti, e ainda mais surpresa fiquei ao perceber o quanto nos parecemos e os valores que prezamos. As dores "emocionais" que vivemos atraem outras pessoas que as tem. Como posso dizer? Descobri que já sentiu as dores e a tristeza de perder alguém que muito se ama para o contrário da vida. Vendo isto, eu sei que me entendes. É difícil dizer o adeus eterno a alguém que nunca mais poderemos tocar, conversar, interagir. É singular, só quem vive isso, entende.

Apesar de todas as informações que coli entre conversar e encontrar teus perfis na rede, eu ainda não sei quem és, menino brasileiro com nome de americano. Tens uma alma de artista - e bem o sabes.


Torço pelo destino, o nosso - seja juntos ou separado, como aquele o desejar. Mas confesso-te que naquele foi o momento em que senti que merecemos uma chance de saber se tu és aquele que eu nasci a procura, e se eu sou a garota que tu nascestes buscando. Pois sim, nesse mundo atroz eu continuo acreditando em alma-gêmeas.

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