sexta-feira, 18 de julho de 2014

Como estaremos na próxima Copa do Mundo?

Convido os leitores deste texto a fazerem uma reflexão: Como você estará em 2018?
Eventos que marcam, dividem a história, deveriam ser um marco em nossas vidas também. E eu digo isso, pois foi mais ou menos assim que aconteceu na minha vida - mesmo eu não sabendo se as coisas iriam mesmo se concretizar.

Bom, vamos aos fatos: Sempre fui fã de escrever diários. Comecei este feitio lá nos 12 anos de idade e, confesso, continuo até hoje. Acontece que, lembro bem, estava eu aos 13 anos na sétima série quando a professora nos perguntou para que nos imaginássemos no final de 2008. E por incrível que pareça, na mesma época que ela nos fez tal questionamento, estava acontecendo o sorteio da Fifa para descobrirmos qual seria o país cede da Copa do Mundo de 2014 - o Brasil entre os concorrentes.

Eis que tive a ideia de escrever no meu diário de 2007 sobre como eu gostaria de estar aos 20 anos - 2014, na Copa do Mundo, que, então, poderia acontecer no Brasil.
Guardei o diário, nunca mais o folheei. E a vida foi ... Acontecendo, os dias, meses, anos foram, literalmente, voando, até que o ano de 2014 chegou, a Copa do Mundo no Brasil, de fato, aconteceu. E a maioria das coisas que imaginei acontecendo aos meus 20 anos, aconteceram.


Publiquei o meu primeiro livro, intitulado "Por onde andei", aos exatos 11 dias de Junho de 2014, uma quarta-feira ensolarada e quente - embora estarmos quase no inverno -, um dia antes de começar a Copa do Mundo no Brasil.
Fiquei mesmo embasbacada quando resolvi jogar os meus diários de 2006, 2007 e 2008 fora, e, folheando-os para uma última despedida, encontrei tal folha escrita com alguns dos meus desejos para o ano em que eu completasse 20 anos.

Talvez um fato curioso da vida é que quando a gente deseja muito algo e se visualize realizando tal sonho, as coisas acontecem. Não sei se existe explicação, talvez esteja tudo no pensamento.

Depois que terminou a Copa do Mundo no Brasil, nas redes sociais, e principalmente entre os brasileiros, houve aquele momento da sensação de "perda": Cadê os jogos? Cadê os comentários sobre jogadores de futebol? Cadê os memes e as piadas?
A rotina voltou, não saímos mais cedo do trabalho, pois não há mais jogo do Brasil. Depois de 30 dias, voltamos ao que nos era conhecido. A Copa era a tão deliciosa "quebra" na rotina da maioria das pessoas ao redor do mundo - e ainda mais para os habitantes do país que a sediou.

Copa vem, copa vai, de quatro em quatro anos, este evento de impacto mundial acontece em um país diferente. Em 2018 é a vez da Rússia sediá-lo. Como você e eu estaremos lá? Quais são os desejos e sonhos, ainda vamos querer estar morando no mesmo lugar, conversando e mantendo contato com as mesmas pessoas? Em qual patamar de vida nos imaginamos estando? Tudo vai depender do que estamos querendo agora, 4 anos antes. E para quem acha que isso é muito tempo... Engana-se. Cada ano anda passando mais depressa. E se o exercício de imaginar vale? Por experiência própria eu afirmo que sim. Meu primeiro livro foi publicado exatamente no ano que eu imaginei que isso aconteceria. E, convenhamos, não custa nada né? Imaginar, SONHAR, desejar não arranca mão, braço de ninguém.

E aqui vai a capa do meu livro:


Ou encomendando comigo comentando este post :)

Beijo, C.

sábado, 12 de julho de 2014

Trechos de "A noite das mulheres cantoras" - Lídia Jorge


"Acreditar que cada um devia buscar nas suas próprias forças a única resposta para enfrentar os obstáculos. Semelhante estoicismo costuma criar cínicos ou totalitários."

"Dizem que a lembrança é a mamã da História. É mentira, só o registro é o pai da História, e também o seu filho. De resto, lembrança é lembrança, fica e mora conosco, mais nada. Tão longa e tão curta quanto a nossa vida. A nossa vida, se bem vivida, não é da História, é do seu sentido."

"Está entendido. Moramos na mesma casa, mas cada um de nós vive em seu mundo."

"(...) Mas nada iria passar-se como eu imaginava. Ao lado da expectativa, a realidade criava o seu próprio programa, há muito que eu sabia que assim era. Também sabia que a parte que nos decepciona pode ser recompensada pela parte que nos surpreende."

"A relação que determinadas pessoas mantinham com outras não poderia ser qualificada a partir de um só ato isolado, mas essa relação deveria ser evitada sempre que impedisse a realização do próprio. (...) Pessoas havia que tanto nos amavam quanto nos impediam. Essas, deveríamos evitá-las para nos concentrarmos em exclusivo naquilo que é importante."

"Por essa altura eu percebi como o carisma pode ser um fluxo que ao mesmo tempo ofusque e seduza. Provoque esquecimentos e paragens no tempo, hiatos irrecuperáveis, como se conta das aparições benignas."

"Mas nem tudo o que é inesquecível deve ser descrito. A maior parte da nossa experiência inesquecível pode permanecer para sempre indizível."

"Aprendo com esses dias o que toda a gente aprende, mas nem toda a gente sabe. Que só o nada, e em abstrato, é estático. A vida humana, errante, a relação entre nós todos, errática. Lutar contra essa deriva é o mesmo que tentar parar o vento com um chapéu de palha. O amor é esse chapéu de palha."

"(...) Que só dispondo de uma vida nunca daremos resposta àqueles que exigem que nos separemos em partes que são inseparáveis. Não podemos ser de dois mundos."

"O que há de repulsivo na felicidade é a rapidez com que esse estado transforma a pessoa por ele tocada numa ilha de triunfo."

"As nossas contas pareciam os cálculos da NASA. Mas até os voos do vaivém espacial estão sujeitos aos efeitos da meteorologia. Ainda bem. Quando um dia deixarmos de ter esses imponderáveis ou seremos deuses ou seremos animais, e a tendência inclina-se mais para os segundos do que para os primeiros."

"E como sempre acontece na vida, aquilo que existia disperso e por acaso fechava-se num círculo a que se poderia, com algum discernimento, atribuir um significado."

"O fim natural de todos os episódios coletivos, alegres ou trágicos, são canções."

"- Ela foi dormir durante duzentos milhões de anos, foi dormir para todo o sempre", disse Gisela, "Pois é esse todo o sempre que uma pessoa não consegue aceitar. Se houvesse ao menos alguma coisa que interrompesse essa eternidade, se houvesse..."

"- Vamos por partes. Se pensarmos de forma lúdica, o que poderemos concluir? Que se uma de nós morreu, e todas nós sentimos que morremos um pouco com a sua pessoa, então ela ainda está viva para nós, e por isso em parte ela sente como nós, e logo em parte ela quer o que nós quisermos. Mas nós ainda estamos confundidas, ainda não sabemos o que queremos. Ela, a parte dela em nós não morreu, ela sabe. A perspectiva da nossa companheira desaparecida diz-nos que uma pessoa que foi capaz de se entregar a um sonho da forma tão exclusiva como ela o fez, é porque acreditava em si mesma e em nós, e tinha feito da nossa música a sua própria casa".

"Mas eu compreendo que vocês possam não sentir o mesmo que eu. Somos diferentes, e a diferença vê-se muito mais perante a infelicidade do que na hora da alegria. Eu sei bem."

"Há fanáticos para tudo, estes são fanáticos pelos astros. Quem procura no Espaço é porque não encontra o que deveria desfrutar na Terra."

"Compreende... Não me cabia a mim ensinar o que a ti te compete aprender. Nesse estado de alma ninguém tem o direito de intervir. Tudo conta, nesse estado de alma, minuto a minuto, segundo a segundo. Quanto mais encheres o teu saco, mais terás de onde te alimentar no futuro. Olha que não acontece duas vezes. E a vida só tem interesse enquanto essa aventura existe, ou enquanto esperas pela aventura, ou enquanto te lembrares da aventura."

"A eternidade somos nós. Desaparecer entre os que nos conhecem, assim, como uma bola de sabão, é que não se consegue aceitar. Partirmos sem impressionar ninguém, isso é que é o verdadeiro óbito. Aliás, deveríamos perguntar-nos para que pode prestar aquilo que temos de mais certo, a nossa morte. Acaso uma forma de sermos úteis não seria partilhá-la, de modo a prolongarmos a nossa presença até o fim, oferecendo-a aos outros?"

"Mesmo que mais nada em comum nos viesse a juntar no futuro, bastaria o fato de sabermos que estávamos vivas, e de sermos em parte muito diferentes, e em parte muito parecidas, para não podermos dizer adeus."

"Cada coisa brilhava por si, mas elas não rodopiavam em conjunto segundo uma qualquer ordem legível."

**** Esta obra integra as leituras obrigatórias da UFRGS 2015.
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Você encontra o meu livro em: http://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php?products_id=181&osCsid=7f98abd53a6a853feb01f9fec565ca4c

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Eu maior

Oi galera!
Hoje posto uma dica de vídeo para inspirar autoconhecimento. Aquelas perguntas "quem sou?", "o que quero?", "o que é felicidade?" vistas pela perspectiva de muitas pessoas - algumas famosas, outras não, porém todas com uma visão interessante e diferente sobre o que estaremos fazendo nós no mundo. São teólogos, engenheiros, cientistas, psicólogos, artistas, escritores brasileiros em um diálogo aberto sobre uma temática que envolve a todos nós: Viver.

Eu me identifiquei com algumas das perspectivas, de outras eu discordei. Acredito que vale a reflexão.

Fica o link - Documentário completo: 89 min.


Beijo, C.

sábado, 5 de julho de 2014

Só mais um


Reviro as minhas memórias, relembro de algumas conversas.
Não mais o mesmo posso dizer sobre os acontecimentos, a troca de carinho, a presença. De repente, tudo o que era "lindo", "fofo", "eterno" é colocado em uma caixa. O amor foi embora, o príncipe quebrou a sua coroa - aliás, será que em algum momento ele fora príncipe mesmo? Agora, depois de passado o "rolo"/"ficadas"/"encontros" (nem sei como intitular isso que vivi), dou-me conta das partes feias, sim, pois elas foram maiores do que as bonitas. Se as partes bonitas tivessem sido maiores, provavelmente o "rolo" continuaria, e este teria se transformado em algo mais sério.

Príncipes que viram sapos - ou será que ele sempre foi um sapo e eu só estava tentando encontrar um príncipe?
Essas confusões acontecem, mas eu acredito que a vida sempre sabe o que faz. Se um relacionamento não deu certo, é porque você ia se magoar mais do que pudesse já ter sido magoada.. É porque algo melhor a espera, nos espera, afinal de contas esse texto é sobre aquilo que não deu certo para mim.

A verdade é que o tempo passa e a gente vai elaborando as perdas, as frustrações. O tempo passa e a gente se torna mais forte ao passo que vai entendendo todos esses erros e aprendendo com eles.

E também é verdade que a gente aposta nas pessoas... Aposta em um primeiro encontro, aposta no segundo, terceiro, quarto encontros. E vai querendo descobrir mais sobre aquele ao qual está dedicando seus sábados à noite, suas sextas-feiras, seu horário durante a semana. Afinal de contas, se a gente não dá espaço, nunca vai sair do próprio casulo, nunca vai ter uma noção da realidade que é dividir a vida com alguém. Infelizmente, muitas vezes darão erradas até que a pessoa certa e as coisas certas aconteçam. O erro também é importante, aliás, talvez mais importante que o acerto. Errar é lapidar-se, resgatar as partes velhas e melhorá-las. Invariavelmente, sofreremos. Doerá. Dói, pois toda frustração é dolorosa - não somente aquelas provindas do amor.

Elaboradas as perdas e frustrações, seguimos mais fortes no jogo. Afinal de contas, ninguém morre de amor.

Beijo, C.
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segunda-feira, 30 de junho de 2014

O jogo da vida - por Yonatan Shani


"Talvez um dos grandes questionamentos que o homem sempre fez e sempre fará é sobre o sentido da vida e o que, de fato, buscamos. Independentemente da cultura à qual pertencemos, da língua que falamos, de nossa condição social ou da profissão que escolhemos, todos nós estamos sempre nos movendo em busca de algo.

E o que é esse "algo" que buscamos? (...) Não importando o que temos como meta - uma brilhante carreira, relacionamento, dinheiro, saúde - muita gente vive com um vazio que nem sabe o que é ou como preenchê-lo.

Se pensarmos em saúde como um exemplo, podemos dizer que hoje temos mais conhecimento sobre o corpo humano, remédios e tratamentos do que em qualquer outro momento da história. Mas, mesmo com toda a tecnologia e conhecimento sobre este tema, ainda sentimentos que precisamos de mais. Mas quanto mais? Qual é a meta final da área da saúde? Provavelmente, quando ninguém mais ficar doente e quando a medicina for completamente preventiva. Quando não houver mais mortes. Se ninguém mais morrer, estaremos, finalmente, todos felizes, satisfeitos e não buscaremos nada mais? Sem dúvida, ainda buscaremos. Mas como seria possível, então, nós ainda estarmos insatisfeitos, mesmo se o que quiséssemos fosse ilimitado?

(...) Buscamos o infinito em todas as áreas da nossa vida. Algo dentro de nós nunca vai parar ou se satisfazer como nada menos do que o infinito porque nós viemos do infinito. Como diz Sting, "nós somos almas dentro de um mundo material."

Como almas, já tivemos o gosto de ter todo, todo o amor, todo o conhecimento, todo... Só que faltava uma pequena coisinha, faltava a sensação de merecimento, faltava a forma de compartilhar, reciprocar de tal maneira que pudéssemos nos sentir bem recebendo.

Muita gente está em busca do amor, da sua outra metade, só que quando questiono as pessoas sobre isso, a resposta é sempre que estão buscando alguém bem mais rico, saudável e inteligente que eles. A minha pergunta é: como você vai se sentir ao lado de alguém que é muito mais que você em tudo? A resposta é: muito pequeno.

Os kabbalistas sempre nos ensinaram que o universo nos oferece muito mais do que podemos imaginar. Porém, recebemos exatamente o quanto estamos preparados para compartilhar. (...) Nós criamos nossa própria realidade. A realidade manifestada ao nosso redor é fruto do quanto estamos dispostos a nos tornar donos, responsáveis pela nossa realidade.

O ser humano não terminará sua busca constante por "receber" se conseguir o carro, ou todo o dinheiro ou toda a felicidade junto à sua família. Ele só estará preenchido quando conseguir manisfestar seu verdadeiro propósito aqui na terra e vencer nesse jogo chamado "o jogo da vida."

Texto retirado da Revista Avianca, edição JUNHO / 2014 - escrito por Yonatan Shani.

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domingo, 29 de junho de 2014

Chuva para os "solares"


Sete dias sem sol... E eu me pego a questionar-me como a gente segue em frente, quer dizer, como nós seguimos positivos, mesmo sem a presença desse astro luminoso.

Minha mãe, ex-enfermeira de uma ala psiquiátrica, me contou que na época em que atuava, os psiquiatras e psicólogos do setor sempre diziam que o inverno, a falta de luz e os dias sem sol eram os fatores que mais transiam pessoas ao hospital. Menos luz: Mais internações, mais doenças.

Será que também não é assim que ocorre com a gente? Pesquisas já comprovaram que com o sol sintetizamos serotonina - hormônio da felicidade.
A falta de luz causa enegrecimento, como já diz a palavra... Ficamos escuros, tomados pelo pessimismo. Quer dizer, é uma questão de momento: De repente os sonhos e planos vão se encaminhando e está tudo indo bem, mas a falta de luz escurece aqueles que anseiam em colocá-los em prática.

Bom, mas no começo deste texto eu disse que estou me questionando para descobrir como se segue em frente. - Seguir em frente do que? De um amor que apareceu, mas não veio pra ficar; de mil  planos sorridentes e que só dependem de um super ponta pé meu para serem concretizados.

Longos dias de tanta chuva me fazem pensar demais no futuro, por vezes no passado. Acho que isso atrapalha um pouco - ou bastante - o presente: o foco principal.

Mas voltando ao amor, esse foi apenas mais um que veio com o intuito de balançar algo por dentro, talvez até remexer uma parte que já estava selada - essa parte não gostei: afinal de contas, quando esse tipo de coisa acontece, a gente sempre tende a repensar o passado, escolhas que fez. Não seria mais sensato se a vida sempre nos proporcionasse situações em que voltar não fosse preciso?

A verdade é que nós escolhemos, optamos por aquilo que queremos viver. Com certeza tive uma escolha ao estar com essa pessoa, sabendo que possivelmente revisitaria um passado ao qual já não mais pertenço. Mas a dor chegou, ter vivido momentos ao lado dessa pessoa e agora não mais tê-los. E outra uma vez, com a dor, veio um plus de maturidade - algo que ninguém ensina, aprendemos pela própria conta e risco.

À parte o amor que precisa curar-se e, então, virar algo remoto, provavelmente esquecido quando, então, brotarem as linhas do futuro, aprendemos a seguir em frente e lidar com o presente, a lidar com dias tão seguidos de chuva, nos quais literalmente ficamos com uma "nuvem" nos pensamentos, algo que nos impede ver com clareza que algum dia cada cicatriz vai ter seus poréns e significados.

A chuva não cessa, o sol faz falta, vou realocando e recolando as partezinhas que se deslocaram ou descolaram, pois é isso o que a gente faz, vive fazendo: costurando as cicatrizes e, de todo modo, seguindo em frente - com ou sem a presença do sol.

Beijo, C.
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sábado, 21 de junho de 2014

Mudar não é preciso... É essencial!!


"Pra ser quem sempre sonhou, deixe pra trás quem você sempre foi."

Poucas frases tem um sentido tão abrangente no que diz respeito a mudanças: se você tem um sonho, quer conquistar algo grandioso, ou apenas quer se tornar uma pessoa melhor... Invariavelmente precisa deixar quem você atualmente é para trás.

Como um ato inconsciente, nosso cérebro vai se acostumando a rotinas, a pessoas, a lugares, a hábitos. Começamos a ter no "conhecido" uma segurança íntima, um lugar onde não seremos perturbados e nem o novo nos incomodará.
Já parou para pensar em como tudo o que é "diferente" nos causa percalços? A novidade, a alteração.. Uma simples mudança no layout do facebook já nos deixa atônitos: "Por qual motivo as notificações agora estão do lado oposto? Era tão bom como estava antes!", e assim sucessivamente e em uma escala mais grandiosa em nossas vidas.

Já assisti a vários vídeos, vi algumas palestras, frequentei terapia... E em todos esses âmbitos o prenúncio foi o mesmo: Mude. Se um dia escolher o lado direito para caminhar na rua, no outro escolha o esquerdo. Escove os dentes com a mão oposta a qual você costuma escovar. Cada hábito modificado faz com que alterações cerebrais ocorram em uma escala grandiosa.

Pensando nessas frases de "efeito" que citei acima, essa semana resolvi tomar uma atitude mais radical: Eu escrevo diários desde os 12 anos de idade, sempre me senti a vontade em contar a um papel meus dilemas e vez ou outra pegar eles para ler e lembrar de quem eu era e, conforme fui crescendo como a maturidade fora surgindo em minha vida. Eis que me peguei querendo deixar todas essas memórias somente em minha mente: Resolvi desfazer-me dos meus três primeiros diários. Rasguei-os e, com a ajuda da lareira, aproveitei para queimá-los.

Também decidi jogar fora cartas - muito amáveis e sinceras - que ganhei de amigos e amores. Objetos foram junto: Não preciso mais daquela caneta, daquela caixinha de tic-tac vazia para me lembrar do que vivi. Está fresco na memória: Era um sábado à noite, era frio, era no cinema, estava com ele.

Ter tomado tal atitude é um décimo do que posso fazer... Afinal de contas, quantos "eus" a gente guarda? E será que guardando esses eus nos tornaremos quem sempre desejamos ser? Carrego comigo a ideia de que passado é bom, mas deve ser esquecido. Ao longo da vida sempre teremos momentos bons e ruins para recordar, e por incrível que pareça, no fim das contas, eles se equivalem, então mais sábio que olhar para trás ou para os lados, é continuar a olhar para frente. Agradecer tudo o que deu certo e tudo o que deu errado e ir, seguir. "Saber" deixar para trás, pois assim como nos acostumamos com o lado das notificações do facebook, nos acostumamos com outras tantas coisas. E sempre, sempre, sempre seremos os únicos capazes a alterar esse status quo.

Beijo, C.
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Você encontra o meu primeiro livro em: http://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php?products_id=181&osCsid=7f98abd53a6a853feb01f9fec565ca4c
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