sábado, 31 de agosto de 2013

O impossível é sobrenome do medo - Fabricio Carpinejar.


Perdemos mais tempo arrumando desculpas do que vivendo.
Perdemos mais tempo adiando do que aceitando a dificuldade.
Perdemos mais tempo explicando a desistência do que enfrentando o sim.
Eu garanto que a fuga dá mais trabalho do que se encontrar. Porque estaremos longe, mas com saudade. Porque estaremos protegidos, mas vazios. Porque estaremos aliviados, mas entediados.

A vida é simples, milagrosamente simples.
A esperança é firmeza. Consiste em seguir adiante mesmo com pânico, mesmo com receio.

Não há como acalmar o coração senão vivendo.
Parece que nunca conseguiremos fazer, mas vamos fazer, acredite, toda a vida foi feita de sustos bons.
Somente tememos o que é importante. Somente temos dúvidas do que é essencial. Somente entramos em crise por enxergar com clareza a dimensão de nossa escolha.

Os riscos valorizam a recompensa.
Viver não é para solitários.Sempre tem alguém nos chamando para nos acompanhar no perigo.
Eu pensei que nunca percorreria o corredor de minha infância caminhando, mas o vô me esperava do outro lado. Eu caí e ele me levantou com suas mãos de regente.

Eu pensei que nunca me manteria equilibrado em uma bicicleta, mas meu pai fingiu que segurava a minha garupa e pedalei de olhos fechados com o vento me guiando.
Eu pensei que nunca aprenderia a ler e a escrever, mas a letra da minha mãe foi a escada para as histórias.

Eu pensei que nunca teria uma namorada, mas o beijo veio distraído no recreio da segunda série.
Eu pensei que nunca conseguiria nadar, mas os braços foram se revezando até atravessar a piscina.
Eu pensei que nunca passaria no vestibular, mas sacrifiquei noites e pesadelos para um lugar na faculdade.

Eu pensei que nunca teria filhos, eu pensei que nunca dividiria a casa com alguém, eu pensei que nunca seria dependente do olhar de uma mulher, eu pensei que nunca teria dinheiro, eu pensei que nunca seria feliz.
Eu pensei, mas fui fazendo, fazendo, fazendo.

O impossível é apenas o sobrenome do medo.
Você acha que somos impossíveis, mas é do impossível que o amor gosta.
O impossível é inesquecível.
O impossível é o possível repartido. O impossível é o possível a dois.

Escrito por Fabricio Carpinejar, publicado no Jornal Zero Hora em 30 de Julho de 2013.
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domingo, 25 de agosto de 2013

A calmaria da chuva.


Fazem três dias que o sol não aparece na cidade em que moro. Triste isso por si só, não é? E no somar a isso: chuva. E o que mais? Frio.

Achei que o final de semana ia ser pa-ra-do, daqueles em que as horas se arrastam, mas ao  mesmo tempo a vontade de sair de casa é muito pouca. Porém, expectativas foram quebradas. Acordei tarde nos dois dias, tirei todo o sono e cansaço atrasado. Curei a gripe. Ouvi Maná em todos os momentos em que estive no computador - inclusive agora. Fiz os temas, comecei a ler a 28ª obra literária de 2013. Tirei alguns planos que estavam guardados em uma caixinha, por assim dizer, e resolvi que era hora de colocá-los em prática.

Porém o que mais aproveitei nesses dois dias foi a simplicidade da rotina, a normalidade e convencionalismo que esta trás. É verdade, em meio a uma vida louca, inusitada, cheia, a mil-por-hora, é preciso de calmaria também.

E o que é a calmaria? Pode ser um combo: Pipoca de chocolate, chimarrão, fogão-a-lenha, amigos e família reunida.
Pode ser uma overdose de uma banda que admiramos e que gostaríamos de presenciar um show.
A verdade é que cada um de nós tem o próprio jeito de encontrar a calmaria. Feliz daqueles que as vivem!



Já são mais 48 horas de chuva, em mais um domingo que nos convida a começar uma nova semana.
E que todo esse descanso se reflita em energia para lutarmos por o que é nosso por direito e por esforço.

Ótima semana!!

Beijo, C.
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Chegamos às 600 curtidas! Obrigada !!! Continue acessando https://www.facebook.com/doceestranhomundodecarol

Por Onde Andei - O livro.


Boa tarde queridos leitores desse Doce Estranho Mundo! (:

Venho contar a vocês que está disponível - no formato digital - o meu primeiro livro. Ele conta a história de uma garota que ficou alguns dias em um dos países mais ricos culturalmente - o Perú. O preço é R$1,99. Decidi colocar um valor baixo, pois a minha intenção é mesmo divulgar a obra e por meio dela atrair mais leitores para o meu blog!

Segue o link para quem quiser adquirir a obra em formato digital: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/5223072


Um Beijo, C.
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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Trechos do livro "Do jeito que nós vivemos" - Moacyr Scliar.


"Meu palpite é de que, na Batalha Final, vencerá quem tem menos colesterol. E menos pressa para as coisas da vida."

"(...) No fundo, domina-o a ansiedade, que é, ao fim e ao cabo, a ansiedade existencial, aquela ansiedade que nós todos temos e que deriva da consciência de nossa finitude."

"De qualquer jeito é sempre bom acreditar na dignidade das pessoas, por mais humilde que seja a tarefa delas."

"Imaginação muda a nossa vida. Se a imaginação transforma um pedaço de madeira com pregos num navio poderosamente armado, então seguramente, estamos prontos para conquistar o mundo."

"Pais e mães são pessoas que compreendem. Compreender significa ver os outros como realmente são, sem lhes conferir poderes que não têm, sem enxergar neles defeitos fictícios e, principalmente, sem projetar neles nossas fantasias."

"O essencial não está na densidade demográfica da casa. O essencial está no relacionamento entre as pessoas."

Trechos retirados do livro Do jeito que nós vivemos, de Moacyr Scliar.
Beijo, C.
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Comprar livros é uma coisa. Ler é outra - Moacyr Scliar.

"O livro, tal como o conhecemos, é um objeto que tem quinhentos ano e que, nesse período, muito pouco mudou. Entre os best-sellers que vemos nas livrarias e as bíblias que Gutemberg imprimia a diferença é só de grau. Sim, as capas são mais chamativas, a temática e o estilo mudam, assim como os autores; mas o formato básico permanece. Já se previu que o computador substituiria o livro, mas os leitores habituais não trocam a página escrita por uma tela. Mesmo porque, se pensarmos bem, o livro é um objeto prático. Livro não precisa de baterias ou de energia elétrica, livro não enguiça, livro não tem luzinhas, livro não faz barulho, livro pode ser levado para o banheiro. O livro é um triunfo cultural e também tecnológico.

Há um único problema: o livro foi feito para ser lido. E isso é um problema, porque nem todos gostam de ler. Mais: há quem fale mal dos livros. Até mesmo na Bíblia, um termo grego que significa exatamente livros, há um diatribe contra o texto escrito. Diz Eclesiastes: "Escrevem-se livros sem fim e o estudo continuado é a fadiga da carne". O anônimo autor dessa passagem tem muitos seguidores. Ao longo dos séculos, leitores ilustres queixaram-se da quantidade de títulos editados. Quando, em 1781, o historiador Edward Gibbon levou-lhe o segundo volume de sua monumental obra Ascenção e queda do Império Romano, o duque de Gloucester reclamou: Another damned, thick, square book! Always scribble! Eh, Mr. Gibbon? (Outro maldito, grosso, quadrado livro! Sempre escrevinhando, escrevinhando, escrevinhando! Não é, Mr. Gibbon?).

Havia também uma pressão social para a leitura de certos livros. O escritor inglês do século XVII, Samuel Pepys, escreveu em seu diário que havia jogado fora a obra de seu conterrâneo Samuel Butler, Hudibras, demasiado ingênua para ele; mas seus amigos aristocratas falavam tanto a respeito do livro que se vira obrigado a comprá-lo de novo. "Somos obrigados a ler qualquer obra estúpida que a moda transforme em assunto de conversação", queixou-se, um século mais tarde, o também inglês e também escritor Samuel Richardson, e ninguém menos do que Goethe acrescentou: "Um livro do qual todo mundo fala inibe nossa capacidade de julgamento". Nesse princípio, aliás, baseia-se o best-seller.

Livros demais! É o título de uma obra do poeta e ensaísta mexicano Gabriel Zaid (Editora Summus). Ou seja: até um escritor se queixa do excesso de livros.
Não é de admirar que muitos livros não sejam lidos. Comprá-los até que não é difícil; hoje em dia existem edições baratas, acessíveis, e podemos até mesmo recorrer aos sebos. As pesquisas, porém, mostram resultados perturbadores; uma delas, realizada nos EUA, mostra que a maioria das pessoas que compram um best-seller não termina de lê-lo.

Criar um comprador é questão de mercado. Criar um leitor é questão de educação, um processo que começa em casa quando os pais lêem para os filhos pequenos, continua na escola, no círculo de amigos, na universidade. Qual a diferença nos dois processos? A intensidade do vínculo emocional. Quando um pai entusiasmado, ou uma professora entusiasmada, ou um amigo entusiasmado nos garante que a leitura de determinado livro é importante, temos dois tipos de motivação para a leitura: um é o livro propriamente dito, outro é o afeto que temos por esse pai, por essa professora, por esse amigo. Leitores formam uma irmandade, uma afetiva família. É isso o outro mérito do livro. Um mérito que já tem quinhentos anos.

Texto retirado do livro "Do jeito que nós vivemos", escrito por Moacyr Scliar.

Beijo, C.
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Ainda não sei quem é você.


Converso contigo alguns minutos, e já não tenho mais sono. Paixão é um troço louco.
Ainda não sei quem é você, e após aquele dia, eu jurei de pés juntos que não iria haver depois. Quer dizer... Você mora muito longe, vive em outros lugares... Eu não sei quem é você.

Mas estamos conectados. Nesse papo que a gente levou depois que nos conhecemos, já tirei algumas conclusões. Somos parecidos, você digita exatamente o que eu estava pensando em dizer. Eu te mimo, ganhaste um apelido. As conexões ligaram.

Só que sabe quando a gente sente que 'as coisas não são bem assim'? Pois é, elas não são. Pelo menos não entre você e eu. Acho linda a parte de conhecer alguém, de repente sentir uma emoção diferente por dentro - e que essa acaba fazendo com que a gente queira tal pessoa por perto. Mas não é bem assim. A gente conversa, a ideia liga. Temos muito de igualdade, porém conversamos de menos. Eu acho que naquele dia você se apaixonou - como confesso que também eu me apaixonei.

Mas essa história eu já não conto mais. Posso manter tua paixão acesa quando o meu pensamento é em ti e automaticamente te vejo me chamar no chat. Posso te mimar, continuar sendo desse meu jeito traiçoeiro e te ver encantado. Tu podes continuar me chamando de princesa. Pois eu acho que é isso que tem de sobreviver. Encanto a gente pode ter a qualquer momento por outra pessoa, ninguém sabe quando vai acontecer. E como se sabe: distância gera esquecimento.

Se você estiver lendo este texto, use as dicas para se manter próximo de alguém - seja eu ou um futuro amor que você tenha e se você realmente estiver apaixonado pela garota: Pergunte mais, queira saber quem ela é, lembre dos apelidos mais carinhosos que ela te confessou ter na primeira vez que vocês se encontraram. E quando ela pedir um autógrafo daquela banda que você vai ao show, não responda simplesmente: "Quem sabe/Vou tentar". Diga: "Por ti sim, princesa!". É claro que muito provavelmente você não consiga, mas garota que é garota quer saber se você é "o cara" da vida dela. Enfim, como você mora longe, não fique apenas na promessa de que irá visitá-la. Chegue, e de surpresa. O contato telefônico dela você já tem.

Um beijo, C.

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Trechos de "O livro de Julieta".

Na foto: Eu e João. Durante pouco mais de um ano trabalhei junto a crianças com Síndrome de Down. Experiência maravilhosa!

"Na vida, não podemos escolher mais do que duas ou três coisas, que não costumam ser as mais importantes. Mas sempre nos resta o consolo de reclamar que não nos deixaram escolher, que alguém nos impôs certas coisas, que não fomos avisados, não tivemos tempo de reagir, não estavamos preparados (e quem está?). Em segredo guardamos a ideia de que nosso futuro é inquietante (temos medo de falar dele), mas gostaria de acrescentar algo a isso: a escolha da nossa atitude diante de circunstâncias que não podemos alterar, a decisão de como seguir em frente com a vida a partir de agora, nossa maneira de encará-la, o tipo de pessoa em que estamos nos transformando, tudo isso são escolhas íntimas e pessoas, que só devemos à nós mesmos."

"Imaginamos nos conhecer bem, mas, quando alguma coisa acontece de repente, quando algo importante surge em nossas vidas, essa presunção cai como um castelo de cartas. E é em momentos assim, de dificuldade, que descobrimos quem realmente é essa pessoa em cujo nome falamos e atuamos."

"Amar Julieta é muito fácil. Quer dizer, é impossível não amá-la. O problema é nossa maldita educação, o que arrastamos desde a infância. Em muitas casas nos educam para a inteligência, e não para o amor. A sociedade também nos leva por esse caminho. Desde que nascemos, não paramos de fazer testes e provas de inteligência para passar a níveis superiores. O sistema educativo e social nos ensina, de várias maneiras, que a habilidade de conseguir dinheiro, respeito e status depende de nossas faculdades intelectuais. Sem falar na ambição que temos incrustada no cérebro e nas carências que projetamos nos filhos."

"Quanto mais tento me esquecer daquela mulher, mais clara sua imagem vem à minha mente: o rosto varonil, as rugas da testa, a rudeza das palavras, o tremor daqueles lábios que pareciam murmurar. Acho que, no fundo de sua cabeça, ardia a brasa de um sonho não realizado."

*** Trechos retirados da obra "O livro de Julieta", da autora Cristina Sánchez-andrade.
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Beijo, C.

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